quarta-feira, 24 de abril de 2019

CARTAS ABERTAS – Corresp. 3 – AOS DESCENDENTES DA TJ “ENGANADA” POR JEOVÁ®


Brasil, 23/04/2019
Caros Familiares:
             Recentemente, lendo uma antiga revista “A Sentinela” (de 1/9/1967, pp. 534  - publicada pela Sociedade Torre de Vigia - STV), me deparei com uma breve menção do falecido ascendente de vocês (que é descrito apenas como um “irmão pioneiro que servia no Sul da Nova Zelândia e que contava com 87 anos de idade) e foi tal leitura que me incentivou a escrever-lhes esta carta aberta, na qual vou fazer algumas presunções sobre o falecido e sua forma de pensar, a partir das poucas informações que tenho sobre o mesmo (caso discordem de minhas conclusões ou, até mesmo, tenham informações dadas pelo próprio falecido que as contrariem, peço que indiquem em quais pontos falhei ao presumir).   
        Não sei se vocês ou alguns de vocês, são, foram ou pensam em ser  Testemunhas de Jeová (JV), porém, seja como for, com base em tudo o que irei expor nesta carta, ao final, os convidarei a (re)pensar a correção da decisão de: permanecer(em) ou de ter(em) deixado de ser ou, ainda, de, passar(em) a ser TJ, bem como a todas as demais pessoas que vierem a lê-la.
O título do artigo que faz menção ao ascendente de vocês é “Dum Estado Fraco . . . Feitos Poderosos” que trata, basicamente, da possibilidade de desânimo que servos de Jeová podem vir a ter e da força que podem encontrar em Jeová para prosseguir.
É neste contexto (e abaixo do Subtítulo – “Confie no Espírito de Jeová”) que a rápida menção referida aparece, no §26, que transcrevo em parte abaixo a fim de analisar (em especial o trecho que destaquei em negrito):
26 Há um irmão pioneiro, que ainda serve no sul da Nova Zelândia, com oitenta e sete anos de idade, e sua fiel esposa pioneira é até mesmo alguns anos mais velha. Vendeu seus negócios em 1914, de modo que pudesse aproveitar pelo menos alguns meses do serviço de “colportor” pioneiro antes de se dar o grande desastre esperado, no outono (hemisfério norte) daquele ano. Ele gosta muito de citar Jeremias 20:7: “Tu me enganaste, ó Jeová, de modo que fui enganado.” Pois, embora esperasse que seu serviço de pioneiro na terra fosse apenas por uma época breve, tem-se estendido a mais de cinqüenta anos recompensadores, junto com provas e vitupérios. E, segundo os últimos relatórios, êle ainda está “forte”, como Sansão.
Foi bastante interessante e curioso saber que o falecido se apropriava de uma expressão bíblica a fim de traduzir seu sentimento em relação a data de 1914 e é sobre isso que gostaria de refletir com vocês, partindo da análise do trecho acima (que irei transcrever novamente abaixo, em partes menores, para poder comentar) e, a partir de tais trechos, lhes dar uma ciência mais completa, citando outras publicações das TJ, do que se passou nos anos anteriores a 1914 e naquele ano, especificamente, a fim de justificar as presunções a que cheguei, em especial, aquela referente a razão pela qual o falecido citava o texto de Jeremias  ao se referir a 1914.
26 Há um irmão pioneiro, que ainda serve no sul da Nova Zelândia, com oitenta e sete anos de idade, e sua fiel esposa pioneira é até mesmo alguns anos mais velha.
A idade do falecido e de sua esposa devem estar atualizadas com a data da em que a revista foi publicada, isso é, 15/2/67 (data da versão em Inglês que, naquela época, sempre “circulava” primeiro que a versão em Português).
Assim, se no início do ano de 1967 o falecido contava com 87 nos anos, “no entorno” de 1914 a idade aproximada seria de 35 anos.
Vendeu seus negócios em 1914, de modo que pudesse aproveitar pelo menos alguns meses do serviço de “colportor” pioneiro antes de se dar o grande desastre esperado, no outono (hemisfério norte) daquele ano.
Ao que tudo indica o falecido não era pessoa muito abastada, afinal, embora aos 35 anos ela já fosse possuidor de “negócios”, o valor obtido com a venda de tais “negócios” seria capaz de mantê-lo (e a esposa, se já fosse casado) por apenas “alguns meses”.
         Além disso, é possível presumir que tais “negócios” foram obtidos em época na qual ele já era uma TJ, afinal, aos 35 anos já tinha o cargo de “pioneiro”, função que, certamente, não lhe foi designada logo após ter se batizado como TJ.
- Mas, o que será que o motivou a vender seus “negócios” em 1914 e porque não fez isso antes de 1914?
         Sobre isso o texto informa apenas que ele (e, certamente, todas as demais TJ daquela época) esperavam um “grande desastre” e tal desastre tinha época certa para ocorrer o - outono (considerando o hemisfério norte do globo terrestre) de 1914.
         Para entender melhor do que se tratava essa “grande catástrofe” será necessária uma investigação mais profunda daquilo que as TJ acreditavam que ocorreria em 1914 mas, a segunda parte da questão acima já pode ser presumida de imediato:
- O falecido só veio a vender seus negócios, no próprio ano de 1914 (e não antes disso), em razão de um planejamento que fez no qual considerou: qual seria o valor obtido com a venda de seus “negócios” e por quanto tempo tal valor permitiria suprir suas necessidades materiais e de sua esposa - foi essa a razão de ter vendido seus “negócios” “dentro” de 1914 e não antes disso - e é certo que após o “grande desastre” nem ele, nem sua esposa e mais nenhum humano teria necessidade de contar com “reservas de dinheiro” para prover a própria sobrevivência.
Respondido isso, analisemos o “grande desastre” esperado. Partindo apenas do parágrafo ora considerado, o que consigo presumir é:
– O falecido vendeu seus negócios para ter todo o tempo para se dedicar à designação de pioneiro, logo, aquilo que ele tinha para falar as pessoas era algo que, de alguma forma: ou lhes livraria dos danos causados pelo desastre, ou lhes ajudaria a sobreviver a tal desastre ou prepararia para uma nova chance após o desastre (algo como garantir uma ressurreição futura).

Na verdade, aquilo que era esperado para 1914 foi fruto das afirmações de um homem – CT Russell, o fundador do movimento que veio a se transformar (entre outros) nas TJ de hoje.
Suas obras mais conhecidas (Série de livros chamada de “Aurora do Milênio” que depois veio a ser rebatizada com o nome de “Estudo das Escrituras”) tratam do tema logo no 2º Volume (O tempo Está Próximo, pg.101, versão de 1889). Ali pode ser lido:
"Portanto, não fique surpreendido quando em capítulos subsequentes apresentarmos provas de que o estabelecimento do Reino de Deus já começou, que é indicado nas profecias como previsto para começar o exercício de poder em 1878 A.D., e que a "batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso" (Ap. 16:14), que terminará em 1914 A.D., com a destruição dos atuais reinos da terra, já começou." -
Aí está a resposta: “grande desastre” = “Armagedon”. Sobre este acontecimento a Sentinela a seguir citada (publicada em inglês) “pinta”, em “cores bem vivas” o que irá ocorrer em 1914:
"Nunca antes em toda a história humana terão sido mortas tantas criaturas. O sangue, representando as vidas humanas derramadas, correrá profundo e ao longo de uma vasta distância. Revelação 14:20 descreve a imagem aterradora, dizendo: "E o lagar foi pisado fora da cidade [a organização de Deus], e saiu sangue do lagar, até à altura dos freios dos cavalos, ao longo de um distância de mil e seiscentos estádios [ou, 200 milhas]." A decisão judicial de Jeová será executada até ficar completa. As nações e as suas uvas de iniquidade serão pisadas até deixares de existir, para deixar a terra como um lugar purificado para os justos ocuparem e desfrutarem. Nem toda a carne estará nesse lagar simbólico. Nem toda a carne terá o seu sangue vital pisado e lançado fora do lagar. Existem aqueles que fazem de Jeová o seu refúgio e a sua fortaleza. Estes serão mantidos em segurança e serão preservados quando Jeová, através do seu Rei Jesus Cristo, esmagar os seus exércitos e os Seus inimigos no lagar ou "vale da decisão."... Eles olharão para baixo com espanto, a partir dos seus altos seguros, para o vale da decisão, e testemunharão como Jeová obterá a sua magnífica vitória por Cristo sobre todas as nações combinadas da organização visível de Satanás."
1/12/1961, pp. 725, 726

Após ler isso, concluo que a Sentinela que estou analisando foi até comedida em denominar o evento, apenas, de “grande desastre” (era bem mais do que isso o que era esperado).
Fica respondido, também, o que pretendia o falecido ao pregar em tempo integral: alcançar o maior número possível de “perdidos” a fim de que se livrassem da carnificina que ocorreria ainda naquele ano de 1914!
         Isso também revela que, não obstante a preocupação consigo mesmo e com sua esposa (que lhe impediu de vender seus “negócios” antes de 1914) foi muito nobre a ação do falecido – ele realmente acreditava que tudo aquilo iria ocorrer naquele ano e por isso buscou se tornar um “salva vidas” de tempo  integral!
Vejamos mais um trecho da Sentinela que estou comentando:
Ele gosta muito de citar Jeremias 20:7: “Tu me enganaste, ó Jeová, de modo que fui enganado.”
O profeta Jeremias, quando afirmou aquilo que se lê acima, certamente, não gostou nem um pouco de ter que expressar tais palavras já o falecido, segundo a Sentinela, “gosta muito” de as afirmar (tenho sérias dúvidas sobre a correção dessa informação! Algum de vocês sabem mais a respeito disso?)
- A primeira pergunta que me fiz ao ler esta afirmação que foi:
Porque o falecido não afirmava:
Tú me enganastes ó Russell, de modo que fui enganado?
- Afinal, o que Jeová tinha a ver com a frustrada expectativa das TJ daquela época?
Realmente, não consigo entender alguém que conhece a Bíblia e, mesmo assim, consegue dar crédito a alguém que se propõe a afirmar que o “fim do mundo” correrá EM TAL DATA! - Será possível que o falecido nunca leu At. 1:7?

6 Tendo-se eles então reunido, perguntavam-lhe: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” 7 Disse-lhes ele: “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição;...
ou Mateus capítulo 24, no qual Jesus compara sua vinda aos dias de Noé para mostrar que a destruição viria de SURPRESA! Notem:
37Pois assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do homem. 38 Porque assim como eles eram naqueles dias antes do dilúvio, comendo e bebendo, os homens casando-se e as mulheres sendo dadas em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, 39 e não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos, assim será a presença do Filho do homem.
Antes de continuar juntado argumentos para reprovar a afirmação de que “Jeová enganou o falecido”, porém, percebi que, para entendê-lo, teria que tentar pensar “com a mente dele”.
Baseado na afirmação que ele fazia fica fácil de entender: para ele, os escritos de Russell eram escritos de Jeová, eram a voz de Jeová, logo, se a data falhou, ao acreditar nela, quem o enganou não foi Russell, foi sim, Jeová (Russell seria apenas um “porta voz” da incorreta data que recebeu de Jeová)!
E a razão pela qual o falecido (e as todas as TJ de sua época) tinham essa convicção tão forte, era bem evidente: a literatura das TJ, em especial após a morte de Russell, indica como ele era encarado entre as TJ (Sentinelas, em Inglês):

 “Não há ninguém hoje na verdade atual que possa honestamente dizer que recebeu conhecimento do plano divino de qualquer outra fonte além do ministério do irmão Russell, direta ou indiretamente.”
S. 1/5/1922, p.132
“Cremos que todos os que estão agora se regozijando na verdade atual concordarão que o irmão Russell ocupou fielmente o cargo de servo especial do Senhor e que foi feito governante sobre todos os bens do Senhor.”
S.1/3/1923, p.68
Obs - A referência em negrito acima é ao “escravo” mencionado em Mt.24:45 (que hoje as TJ identificam como sendo seu Corpo Governante) e se vocês observarem o texto de Mt. 24:45 verão que qualquer pessoa ou grupo que avocar para si tal título, realmente, nada mais será que um “porta voz” do alimento provido por Jesus! Notem:
“Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o SEU alimento no tempo apropriado? (o alimento que o “escravo” dá aos domésticos é DO AMO, não se trata de uma produção do próprio “escravo”)
Ao pensar “com a cabeça” do falecido ascendente de vocês, faz sentido entender porque ele afirmava que Jeová lhe enganou, pois, é exatamente assim que ele se sentia, enganado! Vejamos o restante do texto da Sentinela que estou analisando nesta carta:
Pois, embora esperasse que seu serviço de pioneiro na terra fosse apenas por uma época breve, tem-se estendido a mais de cinqüenta anos recompensadores, junto com provas e vitupérios. E, segundo os últimos relatórios, êle ainda está “forte”, como Sansão.
Não consigo concordar com esta conclusão da revista! Para mim ela desvia e perverte completamente o foco:
- O sentimento de engano teve a ver com a não ocorrência daquilo que Russell profetizou para ocorrer em 1914!
- O sentimento de engano teve a ver com a venda dos negócios que proviam sua subsistência e da frustração do planejamento que fez a fim fazer coincidir o fim da reserva financeira que obteve com a venda de seus “negócios” com o “fim do mundo”!
- O sentimento de engano teve a ver que o fato de que teve que reconstruir sua vida financeira do zero, em razão de ser falso aquilo que o motivo a tomar sérias decisões!

Não sei se concordam mas, para mim, soa como um insulto à memória do falecido ler que ele, em outras palavras, entendeu que Jeová está lhe prometendo uma aposentadoria do cargo de pioneiro em 1914 e que o mesmo, quando se viu obrigado a continuar trabalhando na função, passou a entender que Jeová o enganou!
Como o fracasso da profecia de Russel não destruiu a fé do falecido em sua religião e nem em seu líder (o que seria bem legítimo e, diria eu, até obrigatório de acordo com a Bíblia) o mesmo, naturalmente, continuou entendendo que a obra de “salvar vidas” era necessária, pois, embora tendo falhado a data para o “grande desastre” este ainda viria, logo, a sua tarefa, naturalmente, tinha que continuar (depois de ter vendido suas fontes de renda para “salvar vidas” entender que o falecido dizia que Jeová o enganou porque teria que continuar fazendo a mesma obra é, data vênia, um ultraje que ainda vai piorar no restante do parágrafo:
Será que preferiria que as coisas fossem diferentes? Não!
Não! É evidente que ele queria que as coisas fossem diferentes e as maiores provas disso são:
- o fato de não ter vendido seus “negócios” em 1913, 1912 ou em data anterior (como já dito, a venda foi programada para que ele a esposa ficasse sem dinheiro quando dinheiro não fosse mais necessário).
- se ele não queria que as coisas fossem diferentes porque afirmar: “Jeová me enganou”? Se assim fosse ele deveria afirmar: “Jeová fez tudo para manter a situação como eu gostaria que ela ficasse” (leia-se: frustrado por uma falsa profecia, tendo que recomeçar a vida financeira do zero e se sentido enganado por Jeová)!
O final do parágrafo afirma:
Ademais, incentiva os jovens a ter o mesmo conceito que êle tinha lá em 1914.
  A qual dos conceitos que o falecido tinha em 1914 que a revista se refere?
- Que nas futuras e novas datas que viessem a ser fixadas para ocorrência do “grande desastre”, programassem a venda de seus “negócios” de tal forma fazer coincidir o fim do dinheiro com o fim do mundo? e/ou
- O de desprezar os alertas bíblicos de que “aquele dia e hora ninguém sabe” para acreditarem em outras datas que viessem a ser fixadas pelo “escravo” e/ou
- Continuarem acreditando nos escritos de Russell, em razão dele ser o “escravo” de Mt. 24:45?

É certo que o “conceito” mencionada não é nenhum desses!
O conceito que deve estar na mente do escritor da Sentinela analisada é: Não importa se nossos líderes fixam datas para eventos bíblicos que nada acontecer, o que importa é: independentemente de qualquer coisa, acreditem que a STV é a organização de Jeová na terra e que, por isso, devem ser totalmente submissos a ela!
Encerrando esta carta, pego “gancho” no “conceito” acima a fim de trazer a reflexão que indiquei no início desta:
Passar a ser TJ? Deixar de ser TJ? Voltar a ser TJ?
Creio que não ficou nenhuma dúvida de que Russell (desprezando que apenas  Deus sabe quando será o Armagedon), fixou data para o evento e, portanto, fez uma profecia.
Obs – Importante ressaltar que Russell afirmava que a data de 1914 para o término do Armagedon não era uma data dele (Russell) mas sim que era uma data de JEOVÁ! Na sessão de perguntas dos leitores da revista Sentinela indicada abaixo, foi questionado de Russell a possiblidade de ser alterada a data de 1914 e as data correlatas. Respondeu Russell:
“Nós não vemos nenhuma razão para alterar as datas e nem poderíamos mudá-las, mesmo que quiséssemos. ELAS SÃO, ACREDITAMOS, AS DATAS DE DEUS, NÃO AS NOSSAS. Mas convém ter em mente que o fim de 1914 não é o tempo para o começo, mas para o fim do tempo de angústia.”
S. 15/6/1894, p. 226-231 [na versão reimpressa, pág. 1677]
Nem aos discípulos de Jesus cabia conhecer “períodos e épocas”, já para Russell Jeová informava datas!
- Na sequência poderia citar Dt. 18:20 (que nos dá a fórmula mais prática que existe de reconhecer um falso profeta) mas, melhor do que isso, será citar um INACREDITÁVEL trecho de uma revista Despertai, que aconselha, fortemente, a se tomar as seguintes decisões:

Nunca se tornar, deixar imediatamente de ser e nunca voltar a ser TJ – conselho que, se pudesse, daria ao falecido ascendente de vocês:
“É verdade, tem havido aqueles que no passado predisseram um ‘fim do mundo’, até mesmo anunciando uma data específica. …Contudo, nada aconteceu. O ‘fim’ não veio. Eles foram culpados de profetizar falsamente. Porquê? O que faltou? …Faltando a essas pessoas, estavam as verdades de Deus e a evidência de que ele as estava guiando e usando.”

Como disse – INACREDITÁVEL! – A própria STV chamando seu fundador de falso profeta, de alguém que não tinha “as verdades de Deus” e nem a “evidência de que Jeová o estava guiando e usando”!

Pois é, caros familiares! Como acreditar que a única organização de Jeová na terra renasceu com um falso profeta, que não tinha as verdades de Deus, que não era guiado e nem usado por Jeová?
Obs – E parece que o próprio Russell deu sinal claro de que era um falso profeta ao anunciar aquilo que a Bíblia proíbe e ainda transformar tal anunciação uma data “de Jeová”(a falsidade profética de Russell gritava – bastava ouvir)!

Por fim, lembro que ao invés de mandar seguir e de estar na religião fundada por um falso profeta, o que Jesus alertou foi:
Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes (Mt. 7:15).
Era isso o que tinha a lhes escrever, esperando que considerem tudo o que escrevi acima a fim de fazerem a reflexão proposta. Assim como o Apóstolo Paulo, espero que não me encarem como inimigo, pois, busquei lhes falar apenas a verdade (Gl. 4:16), raciocinando com base nas citadas literaturas das TJ e nas Escrituras (At.17:2).
 Att.
 2Ts. 5:21
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Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já, agradeço)

domingo, 21 de abril de 2019

PROPAGANDA ENGANOSA I – OMISSÃO/SUGESTÃO ®


Por intermédio deste artigo inicio mais uma série para este Blog, no qual pretendo destacar que, a estratégia de propaganda do CG, diante da legislação brasileira, é classificada como – propaganda enganosa.
A busca da definição legal de “propaganda enganosa” na legislação visa apenas estabelecer um parâmetro seguro e extra religioso de classificação de uma propaganda como enganosa ou não.
Este esclarecimento se faz necessária, pois, até onde consegui descobrir em uma pesquisa na internet, a única legislação brasileira que trata de forma específica da propaganda enganosa é o Código de Proteção e Defesa do Consumidor e esta será a única razão de citá-lo aqui (com tal citação não há qualquer intenção de sugerir ou defender que a Sociedade Torre de Vigia é uma empresa multinacional norte americana, que visa o lucro – como muitos defendem).
Neste sentido acrescento que o termo “propaganda” nasceu na agricultura (processo de produção de plantas que se espalham pelo ambiente usando de seus elementos para se propagar) e que, deste sentido, evoluiu para a propagação de ideias, tendo o termo sido apropriado, exatamente, pela religião (a mais antigo e conhecido uso do termo, no sentido religioso, ocorreu em 1622 quando um papa instituiu a “Congregatio de Propaganda Fide” [Congregação para propagar a fé]).
          A partir deste evento, o uso continuou sendo religioso e se difundiu para o uso na política, entre outros. Por fim, necessário lembrar que “propaganda” não é o mesmo que “publicidade”, este sim um instrumento voltado para a venda de produtos.
          Antes de tratar do dispositivo legal, destaco o trecho que uma Sentinela que traz importante alerta sobre a “propaganda enganosa”:
Por meio da propaganda enganosa, a verdade se transforma em mentira e as mentiras são promovidas como verdade. Para encontrarmos a verdade em face de tais pressões insidiosas, temos de consultar diligentemente as Escrituras.
1/3/02, p. 14
Vejamos agora o mencionado  dispositivo legal (trecho do §1º do Art. 37 do CoDeCom):
É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação (...), inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro...
Dentre as várias possibilidades que poderia citar neste primeiro artigo da série, escolhi uma propaganda que se utiliza de um mix de figuras que aparecem na disposição legal acima: omissão (propositada) de informação associada ao sugestionamento mental, por intermédio de informações inteiramente falsas (nas linhas e nas entrelinhas). Esta “mistura” não apenas induz ao erro, ela mantém no erro e torna o erro imperceptível!
Em outras palavras, a propaganda usada pelo CG leva as TJ a fazer algo pior que a Sentinela citada acima (não apenas transformar verdade em mentira e mentira em verdade, mas sim, adapta a mente a aceitar tanto a mentira quanto a verdade sem se dar conta disso)!
EXPONDO A PROPAGANDA ENGANOSA DO TIPO: OMISSÃO / SUGESTÃO:
- No Brasil, pelo menos desde a década de 80 (próxima passada), o CG sempre tem um livro oficial a ser usado com novos estudantes. O que chama a atenção os livros que se prestam a esse fim têm sido substituídos em uma velocidade que revela algo no mínimo estranho, afinal, a ideia de ter um livro oficial de ensino para novos estudantes é, exatamente, incluir nele tudo aquilo que for mais básico a fim de “construir” uma nova TJ visando o batismo e, ao  menos em tese, aquilo que é mais básico em termos de fé não pode ou, pelo menos, não deveria mudar com o tempo, logo, não haveria porque mudar o livro oficial de ensino constantemente (uma eventual necessidade de substituição se daria apenas em razão da necessidade de atualização da linguagem, das fotos, das gravuras e dos dados, a fim de tornar o livro mais atraente ao novo estudante, mas, certamente, não é isso que tem justificado as sucessivas trocas do livro oficial de ensino, na velocidade que tem ocorrido).
Como nunca fui TJ não sei quais livros já foram os oficiais neste mister, mas posso citar, com certeza, pelo menos dois: “Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra” (mais antigo) e “O que a Bíblia Realmente Ensina?” (até pouco tempo eu pensava que este último era o oficial “da vez” mas tenho a notícia de que ele já foi substituído por outro), porém, mesmo não sabendo qual foi a sequência exata de tais livros, uma busca pelo texto de Pv. 4:18, no software da STV revela que tal verso bíblico é citado em apenas 18 livros (Anuários, Achegue-se a Jeová, Adoração Pura, Boas Novas, 3 hinos iguais em 3 Cancioneiros diversos, Clímax de Revelação, Dia de Jeová, Histórias Bíblicas, O Reino de Deus já Governa, Organizados, Paraíso Restabelecido, Proclamadores, Profecia de Isaias II, Raciocínios, Testemunho Cabal e Toda a Escritura) e nenhum deles já foi o livro oficial de estudo com novos estudantes adultos.
Caso você, esteja se perguntando: “- Mas porque é significativo o fato de tal verso bíblico não ser encontrado nos livros já usados com novos estudantes?” Eu respondo:
Pv. 4:18 contém uma das doutrinas mais básicas, fundamentais e antigas das TJ, a chamada “Doutrina das Novas Luzes” (embora com outro entendimento, tal texto e a doutrina nela baseada já eram invocadas pelo fundador do movimento que gerou as TJ, a mais de 100 anos), não obstante, tal verso bíblico e, principalmente, a doutrina nele baseada, não é incluído nos livros que, em sua época de vigência, ensinam as doutrinas básicas das TJ a novos estudantes e tal omissão não é fruto do acaso, é estrategicamente planejado pelo  CG, a fim de fazer todo o novo estudante pensar que 100% do aprende entre as TJ são apenas - verdades bíblicas!
A fim de ilustrar isso vou usar os dois livros oficiais que já mencionei a fim de comprovar que o CG usa a tática da omissão/sugestão a fim de induzir ao erro o novo estudante e já preparar a mente desta para um manipulação bem desonesta.
- Imaginem que confusão se formaria na mente de um novo estudante se, ao estudar o livro com o título “O QUE A BIBLIA REALMENTE ENSINA?”, se deparasse com um capítulo nomeado como “O Conhecimento das TJ é Progressivo” e em tal capítulo pudesse ler o mesmo que pode ser lido no Ministério do Reino de nov/1985, p. 3:
...mantém-se a par DA VERDADE ATUAL por estudar diligentemente a Palavra de Deus E O MAIS RECENTE alimento espiritual distribuído pelo “escravo”? — Mat. 24:45-47.
Se eu fosse o novo estudante nesta situação eu concluiria “ – o título do livro que estou estudando deveria ter por título:
 “O Que a Bíblia Realmente Ensina
 Conforme o Entendimento Atual
 das Testemunhas de Jeová”
mas é evidente que este (honesto) título seria uma péssima propaganda!
- Pior do que isso, ocorreria com o novo estudante que teve por guia o livro “Poderá Viver”, pois, ali o mesmo aprendeu que:
19 A verdade não admite a existência de todas as espécies divergentes de doutrinas religiosas no mundo. (...). Não pode haver duas verdades, quando uma não concorda com a outra. Ou uma ou a outra é verdadeira, mas não ambas. Crer sinceramente em alguma coisa e praticá-la não a torna certa, se realmente for errada.
Como harmonizar a afirmação acima com o capítulo “O Conhecimento das TJ é Progressivo”? Se existisse tal capítulo naquele livro, com o trecho do Ministério do Reino que citei, o estudante certamente, concluiria:
“- Se eu estudar apenas o livro “Poderá Viver...” e mais nenhuma outro livro do CG vou ficar desatualizado no conhecimento da verdade, então,  o livro “Poderá...” não me ensina a verdade final e definitiva sobre os temas bíblicos dos quais trata, ele ensina apenas o que se entende por verdade hoje e se dentre tais ensinos se encontrem “não verdades”, então, por mais que eu creia sinceramente nelas, continuarão sendo mentiras!”
Mas ainda pior será o seguinte pensamento: “Com distinguir o que, hoje, já é verdade completa e acabada (não mais sujeitas a novas luzes) daquelas ´verdades´ que ainda precisam receber um ou mais novos lampejos de luz? Na dúvida é melhor entender tudo apenas como (meras) ´verdades atuais´”!
Obs - como exemplo cito a -  geração que não passará (Mt. 23:34). O livro “Poderá Viver...” identifica tal geração como sendo “...pessoas que viviam em 1914...”. Este ensino durou várias décadas até que passou a receber “novas luzes” que se sucederam de forma rápida. Após a última luz recebida sobre o tema a “verdade” estudada pelos novos estudantes na época do livro “Poderá Viver...”, hoje não é mais defendida por nenhuma TJ e, portanto, se tornou mais uma “verdade velha” – a expressão entre aspas foi usada como sinônimo apenas para não escrever, de imediato, o óbvio do que tal  afirmação daquele livro (“...pessoas que viviam em 1914...”) se tornou e, na verdade, sempre foi – uma MENTIRA ensinada pelas TJ a novos estudantes como se verdade fosse, afinal, como aprenderam naquele mesmo livro: não podem existir duas verdade, quando uma não concorda com a outra!
          Informar ao novo estudante a existência da doutrina das “novas luzes” seria honesto, correto, verdadeiro e, principalmente, obrigatório para quem afirma ocupar a condição de “escravo fiel e discreto”, mas seria destrutivo à fé de qualquer novo estudante, sobre ter encontrado a “religião verdadeira” e por isso, estrategicamente, o CG escolhe omitir a existência de tal doutrina!
          Aí está, caro(a) Leitor(a)! Propaganda enganosa pela técnica da “omissão/sugestão”: O CG induz o novo estudante a acreditar que descobriu “a religião verdadeira” (pela omissão do ensino da doutrina das “novas luzes” e por afirmações que sugestionam que o CG só ensina “a verdade”!
Porém, o que mais me chama a atenção é o fato de que os novos estudantes que se batizam e se tornam TJ, tomam conhecimento da doutrina das novas luzes, porém, isso já não causa nelas (via de regra) as mesmas percepções que um novo estudante teria, de onde se vê que a propaganda “omissão/sugestão” consegue mais que induzir a erro o novo estudante, ela consegue fazer conviver na mente da TJ uma evidente contradição e, pior do que isso, as TJ passam a reproduzir a desonestidade do CG quando ensinam a outros!
Para não estender ainda mais este ponto não vou argumentar aqui, vou apenas invocar uma realidade prática que deixa a afirmação acima evidente:
- Eu, nunca, jamais ouvi uma TJ me dizer, após ter me ensinado algo que aprendeu com o CG:
“-tudo isso o que eu lhe ensinei é aquilo que entendemos como verdade hoje, não significa que continuará sendo verdade (no todo ou em parte) no futuro”!
É claro que toda a credibilidade do ensino ministrado ficaria perdida diante da afirmação acima, logo, as TJ não falam isso aos novos estudantes e com isso reproduzem a DESONESTIDADE do CG, mas, ao contrário do CG, não acredito que isso ocorra como estratégia, isso ocorre porque na mente da TJ ter “a verdade” e ter “a verdade atual” (já é) a mesma coisa – sua fé de que está na religião verdadeira, seu empenho por essa religião e, em especial, o medo de uma desassociação, impedem sua mente de perceber que quem tem apenas “verdades atuais” não tem verdade alguma, pois, todo o ensino, ao menos em tese, pode receber uma ou mais novas luzes modificativas (parciais ou totais), assim, mesmo as crenças que já são “verdades definitivas” devem continuar sendo encaradas como (meras) verdades atuais!
Mas na mente das TJ algo tão evidente fica totalmente cauterizado, de onde vemos o quão eficiente é o método – omissão/sugestão do CG – ele não apenas induz a erro os novos estudantes, ele mantêm as TJ no erro de acreditar que suas crenças são inabaláveis verdades bíblicas, como confirma este outro Ministério do Reino  no qual o CG, ao invés de aconselhar as TJ a serem honestas ao ensinar (por ressaltarem a doutrina da “iluminação progressiva”), vai no sentido exatamente contrário (por encontrar virtude em uma mentira!). Notem:
Por outro lado, uma atitude de superioridade afasta as pessoas. Assim, EMBORA ESTEJAMOS TOTALMENTE CONVENCIDOS DE QUE TEMOS A VERDADE, é sensato evitar falar de modo dogmático.
 8/02 p.8 pr. 5
Pelo Amor de Jeová! As TJ não podem ter atitude de superioridade e, muito menos, podem falar de modo dogmático e isso nada tem a ver com uma estratégia para não “afastar as pessoas”, isso tem a ver com o fato de que as TJ (de acordo com sua centenária doutrina oficial) ensinam apenas “verdades atuais” e dentre tais “verdades atuais” muitas podem não passar de “potenciais mentiras” (como era o ensino sobre a geração que não passaria, conforme exposto no livro “Poderá Viver...”!).

É por meio de afirmações manipulativas como essas, que a mente do “velho estudante” das doutrinas do CG, embora já informada daquilo que é omitido da mente do “novo estudante”,  consegue julgar verdadeira tanto a tese quanto a antítese: temos toda a verdade / temos apenas verdades atuais, o que transforma a TJ em um repetidor da desonestidade do CG – exatamente quando prega as boa novas!
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sexta-feira, 19 de abril de 2019

OBJETIVA E DISCURSIVA – Artigo I ®


Após novo período sem poder me dedicar a escrever para este Blog, finalmente, surgiu uma (breve) oportunidade de assim fazê-lo e vou aproveitá-la para lançar uma nova série de artigos, batizada com o nome que se vê no título.

    A ideia é apresentar ao leitor uma ou mais questões objetivas e após abrir a oportunidade para justificar a opção escolhida, por intermédio de uma questão discursiva.
    Obviamente, todo o leitor deste Blog poderá responder, porém, o alvo principal das questões serão as Testemunhas de Jeová (TJ), pois apenas elas podem explicar como, exatamente, entendem e harmonizam em suas mentes as coisas que tenho denunciado neste Blog.  
 Antes de começar, porém, quero ressaltar um trecho do verso 15 de I Pedro, capítulo 3:
...sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que lhes exigir uma razão para a esperança que vocês têm, fazendo isso, porém, com brandura e profundo respeito.
A maioria das perguntas que irei lançar aqui não irão questionar “a esperança” (no sentido de - “coisas futuras”) que há nas TJ, mas sim, coisas das quais elas têm certeza (hoje), não obstante, essa pequena diferença sobre aquilo que irei “...exigir...”, certamente, não é motivo para que os leitores não TJ e TJ que se motivarem a responder às questões formuladas nesta série, o façam de forma diversa do indicado após a primeira vírgula do texto acima.

Tema da Questão: A (falha) Sabedoria Humana & a direção (ou guia) do Espírito Santo sobre o Corpo Governante (CG).

Algo que me deixa perplexo é como a mente das TJ conseguem harmonizar (mesmo depois de alertadas) as muitas declarações contraditórias do CG (sobre os mais diversos temas) ao longo de mais de um século!

É verdade que a mente humana não compreende tudo e que tem coisas que aceitamos pela fé que, conforme Hb. 11:1, é convicção absoluta em coisas que não vemos, não obstante, a fé de que o Corpo Governante é o que ele diz ser (UM GRUPO DE HOMENS QUE, POR SEREM GUIADOS PELO ESPÍRITO SANTO, NÃO CONFIAM EM SABEDORIA HUMANA AO TOMAREM DECISÕES e, que, portanto, podem falar como “PROFETAS DE DEUS”), não é algo a ser aceito pela fé, pois, segundo o próprio CG já expressou:
Este “profeta” não era um só homem, mas um grupo de homens e mulheres. Era o grupo pequeno dos seguidores das pisadas de Jesus Cristo, conhecidos naquele tempo como Estudantes Internacionais da Bíblia. Hoje são conhecidos como testemunhas cristãs de Jeová. ... Naturalmente, é fácil dizer-se que este grupo age como “profeta” de Deus. Outra coisa é provar isso. A única maneira em que isto pode ser feito é recapitular a história. O que demonstra ela?
S.1/10/72, p. 581
A  ÚNICA forma que pode conduzir alguém a acreditar que o CG é o que diz ser (o “escravo” mencionado em Mt. 24:45) não é por meio da fé, mas sim, por meio de algo bem
mais concreto, isso é, analisar o histórico do CG - essa é a única maneira!
Agora, vejamos as afirmações contraditórias, contidos no indicado “tema da questão” a partir das quais nascerão a questão objetiva e discursiva que irei propor ao final deste:

Estudo Perspicaz... v. 2 p. 37  (deve ser notado que na transcrição que segue o CG não irá destacar, em momento algum, que foi a INSPIRAÇÃO dos homens que compunham o primitivo CG que lhes tornou possível conhecerem o pensamento e a decisão  do Espírito Santo sobre o tema que trataram - grifos acrescidos):
Quando surgiam questões, o espírito santo era ajudador em chegarem a uma decisão, como no caso da circuncisão, decidido pelo corpo, ou conselho, de apóstolos e anciãos em Jerusalém. Pedro contou que se concedera o espírito a pessoas incircuncisas das nações; Paulo e Barnabé relataram as operações do espírito no seu ministério entre tais pessoas; e Tiago, cuja memória, sem dúvida, foi ajudada por espírito santo, trouxe à atenção a profecia inspirada de Amós, que predizia que pessoas das nações seriam chamadas pelo nome de Deus. Assim, todo o impulso ou ímpeto do espírito santo de Deus apontava numa só direção, e, assim, reconhecendo isso, ao escrever a carta transmitindo sua decisão, este corpo ou conselho disse: “Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias.” — At 15:1-29.

O Espírito Santo (mesmo que considerado apenas uma “força” como entendem as TJ) é capaz de ser “ajudador” no sentido de direcionar o raciocínio e de “ativar a memória” para fazer lembrar daquilo que já está escrito nas Escrituras, logo, são atividades que não implicam em inspiração (aqui entendida como revelação de “coisa inédita”)
Assim, o Espírito Santo não inspirou os Apóstolos a tomarem decisão sobre a circuncisão, pois o tema não era novo, no sentido de ser inexistente nas escrituras já existentes à época. Como revela a publicação citada, tais ajudas revelaram que: “todo o impulso ou ímpeto do espírito santo de Deus apontava numa só direção e é por isso que o texto bíblico afirma que eles concluíram qual era a exata orientação do Espírito Santo sobre o tema!
Como já revelado em outros artigos deste Blog, o CG de hoje não se diz INSPIRADO, mas ele reivindica a DIREÇÃO ou GUIA do Espírito Santo e embora as literaturas não expliquem (de forma proposital) como funciona o processo de ajuda do Espírito Santo aos homens que compõem o CG, nos parece razoável entender que Ele age sobre as mentes de tais homens: direcionando seus raciocínios (humanos) e fazendo-os lembrar das coisas escritas e isso não implica em – INSPIRAÇÃO.
          Para que não reste dúvidas de o CG atual reivindica a direção  do Espírito Santo, cito agora uma Sentinela (que mais uma vez irá invocar a história - e não a fé), como selo de garantia daquilo que o CG afirma ser e de seu ensinos:
Eles têm um moderno Corpo Governante, composto de varões cristãos de mais idade, de várias partes da terra, que fornecem a necessária supervisão das atividades mundiais do povo de Deus. Estes homens, assim como os apóstolos e os homens de mais idade em Jerusalém no primeiro século, são membros ungidos da classe do escravo fiel e discreto designada por Jesus para cuidar de todos os Seus interesses do Reino aqui na terra. A HISTÓRIA tem provado QUE SE PODE CONFIAR NELES quanto a seguirem a direção do espírito santo, e que eles não se estribam na sabedoria humana ao ensinar ao rebanho de Deus os caminhos da genuína paz. — Mateus 24:45-47; 1 Pedro 5:1-4.
S.15/12/89, p.6-7
- Outra reivindicação “de mesmo calibre” está no livro Poderá Viver, p. 195 no qual o CG falou sobre si mesmo:
DIREÇÃO TEOCRÁTICA HOJE
13 A organização visível de Deus hoje também recebe orientação e direção teocráticas. Na sede das Testemunhas de Jeová em Brooklyn, Nova Iorque, existe um corpo governante de anciãos cristãos de várias partes da terra que dão a necessária supervisão às atividades mundiais do povo de Deus. Este corpo governante é composto de membros do “escravo fiel e discreto”. Serve qual porta-voz do “escravo” fiel.
14 Os homens desse corpo governante, como os apóstolos e anciãos em Jerusalém, têm muitos anos de experiência no serviço de Deus. Mas não confiam na sabedoria humana ao fazerem decisões. Não, sendo governados teocraticamente, seguem o exemplo do primitivo corpo governante em Jerusalém cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo. — Atos 15:13-17, 28, 29.
Obs - Parece temerário aceitar, pura e simplesmente, a orientação de que devemos “...confiar neles...” (nos homens do CG atual) quando o próprio Jeová nos alerta que: “Maldito o homem que confia no homem...” (Jr. 17:5), afinal, os homens do CG, por mais “ungidos” que sejam, estão sujeitos a incríveis falhas, exatamente como estavam sujeitos os homens “ungidos” e inspirados do CG primitivo, não obstante, se verdadeiro for o diferencial apresentado pelo CG atual - não se estribam ou não confiam em sabedoria humana – é possível desconsiderar o alerta bíblico e confiar nos falhos homens do CG (pelo menos é exatamente isso que as TJ fazem).
Não sei quanto a você, leitor, mas minha “sabedoria humana” sente dificuldade em entender com homens falhos e humanos tomam decisões SEM SE ESTRIBAR EM SABEDORIA HUMANA!
        Se os homens do CG atual se reivindicassem “inspirados”, ficaria fácil de entender o processo: o Espírito Santo fala e o homem apenas vocaliza a voz do Espírito, mas sem a reivindicação de “somos inspirados” realmente, fica muito difícil (para quem não é TJ) entender.
Mas será que, na verdade, no fundo, no
 “fim das contas” o CG não reivindica ser inspirado?

Há mais de uma forma de reivindicar inspiração sendo que o uso das palavras: “somos inspirados pelo Espírito Santo, tal qual eram os homens do primitivo CG” não é a única forma de fazer esta mesma reivindicação.
Notem um exemplo: Posso nunca ter afirmado que “sou o melhor aluno de minha turma” e posso até negar isso expressamente, porém, se ao mesmo tempo afirmar várias vezes para todos que: “nenhum outro aluno ou aluna de minha turma teve ou terá notas tão boas quanto as minhas”, estarei reivindicando ser o melhor aluno da turma, por mais que nunca use essas palavras e por mais que negue o título!
Da mesma forma, o CG nunca afirmou, expressamente (e pelo menos até onde eu saiba), ser inspirado e nega que o seja, como se vê no exemplo abaixo:
A Sentinela disse também que terem alguns o espírito de Jeová “não significa que os que servem agora como testemunhas de Jeová são inspirados. Não significa que os escritos nesta revista A Sentinela são inspirados e infalíveis e sem erros”. (Setembro de 1947, página 135).
Despertai 22/3/93, nota na pg. 4

Mas se isso que lemos acima é verdade, porque também se publicam afirmações como essas que seguem?
18 A disciplina (treinar, amoldar e ajudar) chega a nós em forma de conselho por intermédio desta revista, A Sentinela. Nela aprendemos os princípios de Jeová e a aplicação deles à nossa vida, podendo então nos ajustar; e assim AS VERDADES PUBLICADAS SÃO PROVISÕES DE JEOVÁ para o nosso benefício, e deles podemos tirar grandes benefícios.
S.1/12/63. p.715

Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. Devemos ter confiança no instrumento que Deus usa.
S. 15/8/81, p.19
Notem se há coerência quando alinhadas todas as afirmações:
- Não somos inspirados, cometemos erros, mas não nos estribamos em sabedoria humana.
- Não somos inspirados, cometemos erros, mas a HISTÓRIA tem provado QUE SE PODE CONFIAR EM NÓS quanto a seguirmos a direção do espírito santo e não nos estribarmos em sabedoria humana.
- Não somos inspirados, cometemos erros, mas não confiamos na sabedoria humana ao tomarmos decisões. Não, sendo governados teocraticamente, seguimos o exemplo do primitivo corpo governante em Jerusalém cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo.
- Não somos inspirados, cometemos erros, mas as VERDADES PUBLICADAS POR NÓS SÃO PROVISÕES DE JEOVÁ para vosso benefício.
- Não somos inspirados, cometemos erros, mas somos o instrumento que Jeová usa para distribuir alimento espiritual a seu povo e Ele, certamente, não se agradará se recebermos alimento que possa conter algo prejudicial. Devemos ter confiança no instrumento que Deus usa.

Melhor que argumentar com base nos paralelos acima é fazer o leitor pensar, partindo diretamente para as perguntas (objetiva e discursiva) anunciadas no início deste:

1 – Considerando todas as afirmações do CG acima transcritas, indique a(s) alternativa(s) correta(s).
a) O CG, independentemente de sua posição oficial, ao publicar, entre outras, afirmações como: “as verdades publicadas por nós são provisões de Jeová” não se permite uma terceira classificação: ou é inspirado ou é como farsa.
b) O CG não é, sabe que não é e nem quer ser encarado como inspirado pelas TJ, mas exige destas e se contenta com o fato de seus ensinos serem encarados com a “autoridade de ensinos inspirados”.
c) O CG ocupa uma posição sui generis, pois seria um “semi inspirado” ou “quase inspirado” (posição intermediária entre “ser inspirado por Jeová” e não ter qualquer inspiração da parte Dele) e por isso seus ensinos merecem atenção sendo opcional encará-los ou não com a mesma autoridade de ensinos inspirados.
d) O CG não é inspirado, as afirmações acima não reivindicam inspiração e nem exigem que as TJ encarem os ensinos do CG com a autoridade de ensino inspirado.
e) Nenhuma das anteriores

2 – Justifique a resposta dada na questão 1, de forma clara, objetiva, fundada na Bíblia e  separando a argumentação em tópicos.

Em especial aos leitores TJ, aguardo suas respostas nos comentários pois, baseado em I Pe. 3:15, estou “exigindo”  a razão de sua crença no CG, não para saber se você acertou ou não as questões, mas para tentar entender sua crença no CG após ter sido alertado para tudo o que que se lê acima.
Por fim, peço a todos que responderem, para que não se esquecerem de fazê-lo de acordo com a parte final de I Pe. 3:15.
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