domingo, 10 de fevereiro de 2019

VELOZES E AMOROSOS I: SEGUIR CONSELHO DO CORPO GOVERNANTE PODE RESULTAR EM DESASSOCIAÇÃO! ®


Prólogo: Nos artigos que escrevo para este Blog procuro ser bastante analítico e explicativo o que resulta, via de regra, em artigos longos que demandam muito tempo de pesquisa e escrita e, visto que tempo tem sido algo raro, resolvi inaugurar esta série, a fim de propor textos de leitura bem mais “veloz” (por serem menores que os demais) nos quais, não obstante, estarão presentes os sentimentos de amor e a preocupação que tenho pelas Testemunhas de Jeová (TJ),  sentimentos que motivam a manutenção deste Blog.
        Texto: Por mais estranho e contraditório que possa parecer, o Corpo Governante (CG) já deu um conselho que, se praticado, pode conduzir a uma desassociado por apostasia!
O que me permite afirmar isso é o empirismo, isso é, muitas Testemunhas de Jeová (TJ) que seguiram tal conselho, mesmo sem saber, acabaram desassociadas (recentemente foi disponibilizado no youtube um vídeo que contém mais um exemplo disso)!

Você, TJ que estiver lendo esta postagem, muito provavelmente, já está convicto (mesmo sem ainda saber do que se trata), que minto ao afirmar que o CG deu um conselho que, se seguido, pode resultar em desassociação e caso esta convicção permaneça, mesmo após ter lido as linhas que seguem, então, terei um DESAFIO para você!

 No Ministério do Reino (boletim que só circula nas congregações, portanto, não é distribuído ao público em geral), em parte transcrito abaixo, o CG faz algumas perguntas para, ao final, incentivar o seguinte às TJ:

ESTUDO
2Para sermos Testemunhas de Jeová, precisamos assimilar conhecimento de Jeová, dos propósitos e dos requisitos dele para nós. Tem reservado tempo para o estudo pessoal? É você constante nisso, assim como reserva regularmente tempo para comer? (João 17:3) Quando lê a Bíblia e outras publicações teocráticas, procura informações que lhe revelem mais a respeito de Jeová, do modo de pensar e dos propósitos dele, de modo a poder falar corretamente sobre tais coisas a outros e assim ser realmente uma testemunha de Jeová? É muito bom fazer isso ao ler publicações da Sociedade, tanto as recentes como as antigas. (M.R. 11/1984 p. 7)

Obs – Estou me segurando aqui para não escrever várias e várias linhas com base na citação acima, pois, se assim fizesse, fugiria do propósito indicado no início desta, porém, vou me permitir “abrir um pequeno parêntesis” a fim de informar que:

A afirmação acima entra em choque com uma outra afirmação do próprio CG, também divulgada por intermédio de um Ministério do Reino, exatamente, um ano após. Notem:

Está ‘efetuando plenamente o seu ministério’? (2 Tim. 4:5) Cumpre fielmente suas designações teocráticas e MANTÉM-SE A PAR DA VERDADE ATUAL por estudar diligentemente a Palavra de Deus e O MAIS RECENTE ALIMENTO ESPIRITUAL distribuído pelo “escravo”? — Mat. 24:45-47. (M.R. 11/1985 p. 3. §6º)

 – O conselho acima é mais sábio que o anterior por pelo menos duas razões, a saber: 1 - o volume de literatura nova que as TJ têm para ler todos os meses é bastante grande, assim, “gastar tempo” lendo literaturas antigas pode fazer faltar tempo para ler as novas publicações. 2 - visto que o conhecimento é progressivo, quem lê publicações mais antigas, muito provavelmente, irá se deparar com ensinos que não são mais defendidos como verdadeiros e isso pode, inclusive, gerar confusão no entendimento, logo, como o que importa mesmo é a “verdade atual”, o melhor é estudar (e não apenas ler) apenas “o mais recente alimento espiritual” (não obstante toda essa lógica, o CG, efetivamente, incentivou as TJ a lerem publicações antigas, como vimos acima).

Fechado os parêntesis, afirmo que se os lideres de sua congregação e de Betel tomarem conhecimento de que você está procurando seguir o conselho dado no M.R. de 1984, logo haverá o interesse em saber a razão e isso poderá resultar em um convite a uma “comissão judicativa” e a se retirar de entre as TJ!
Se você, TJ que leu esse texto até esse ponto, continuar convicto de que é falsa a afirmação feita no título desta postagem, então, tenho um DESAFIO para você:
COMPROVAR, NA PRÁTICA, QUE
ESSA SUA CONVICÇÃO ESTÁ CORRETA,

mas, se julgar que a afirmação feita no título desta postagem tem alguma chance de ser real, então, sugiro que esqueça o desafio, “pule” o “passo a passo” indicado abaixo e vá direto para a Conclusão.    

 “PASSO A PASSO” DO DESAFIO:
             - É obvio que não basta ler literaturas antigas para que,  automaticamente, ocorra aquilo que estou afirmando, é necessário que seus líderes saibam que você tem feito ou pretende fazer isso, assim, se VAI aceitar o desafio, sugiro o seguinte:

– Escreva para Betel, afirmando que precisa de ajuda para conseguir seguir o conselho do CG, conforme consta do MR de 11/1984 (fazer essa afirmação é fundamental)!

- Escolha se você quer declinar os motivos pelo qual tem interesse em cada publicações antiga que irá pedir ou se apenas vai indicar suas referências.

- Poderia fazer inúmeras indicações aqui, mas creio que apenas 3 já serão suficientes a despertar a atenção da STV para você, TJ que aceitar o desafio:

A)  Milhões que Agora Vivem Jamais Morrerão? – Este livro (que foi publicado em Português) contêm afirmações surpreendentes e, para justificar o pedido de cópia, você pode apenas afirmar que gostaria de ler este livro (o título do livro é exatamente este que está acima, apenas retirado o ponto de interrogação).

B) Sentinela 15/9/1910 Artigo “IS THE READING OF “SCRIPTURE STUDIES” BIBLE STUDY?”: Neste Russell afirma que se uma pessoa ler apenas a Bíblia, ela ficará em trevas, mas se ler apenas a série “Estudos das Escrituras” ficará na luz, mesmo que nunca recorra à Bíblia!
Aqui você pode afirmar que quer conferir se Russell realmente escreveu isso ou pode apenas afirmar que gostaria de tomar ciência das afirmações deste artigo da Sentinela.

C)Pirâmide de Gizê: Conforme a Sentinela de 1/1/2000 p. 10, §17 dois artigos da Sentinela (15/11 e 1/12/1928) esclareceram que a pirâmide, na verdade, não é a “Pedra de Testemunha de Deus” que confirma a Bíblia, como já ensinaram as TJ, mas sim, que seria a “Bíblia de Satanás” e que está interessado em confirmar essa informação diretamente em tais publicações (ou peça apenas cópia dos artigos de cada revista que tratam do tema).

- Envie para mim uma cópia da carta que enviar a Betel, a carta resposta que receber e todos os demais fatos que ocorrerem após e em razão do desafio que aceitou.
Insisto: Você, TJ, que tem convicção plena e absoluta de que pode pedir as publicações antigas indicas e isso não lhe produzirá nenhum dano, vá em frente, aceite o desafio, do contrário, não faça isso em hipótese alguma.

CONCLUSÃO: É possível que os leitores desta postagem possam pensar:

Onde está a demonstração de amor e preocupação que afirmou, também estariam presentes neste artigo?
         A melhor forma que tenho de responder a isso é por citar o trecho de uma Sentinela no qual o CG (obviamente, falando a pessoas de outras religiões), afirma algo perfeito é irrefutável que, por isso mesmo, também se aplica ao próprio CG, logo, basta repetir tais palavras para que os sentimentos que indiquei fiquem bem evidentes (grifos acrescidos):

Pode-se ser fiel a Deus, todavia ocultar os fatos?
O QUE resulta quando se deixa uma mentira passar incontestada? Não ajuda o silêncio a passar a mentira como sendo verdade, a ter mais liberdade para influenciar muitos, talvez para prejuízo sério deles?
(...)
Quando há pessoas em grande perigo, duma fonte de que não suspeitam, ou quando são desencaminhadas por aqueles que consideram ser seus amigos, será que é desamoroso adverti-las,
Talvez prefiram não acreditar na advertência. Podem até mesmo ressentir-se dela. Mas livra isso alguém da responsabilidade moral de dar tal advertência?

Se estiver entre os que procuram ser fiéis a Deus, as questões suscitadas por tais perguntas lhe são vitais hoje. Por quê? Porque os servos de Deus, em cada período da história, tiveram de enfrentar o  desafio apresentado por tais questões. Tiveram de expor a falsidade e o  proceder errado, bem como advertir as pessoas contra perigos e fraude — (...) Mas a fidelidade a Deus e o AMOR  AO PRÓXIMO induziram-nos a falar. Sabiam que “melhor a repreensão  revelada do que o amor escondido”. — Pro. 17:5. (S. 15/7/74 p.419)

Certamente, você TJ concorda com as palavras acima, não é mesmo?
 Note se você tem alguma objeção à seguinte modificação de parte do texto acima:
TODOS QUE NÃO SÃO TJ ESTÃO em grande perigo, duma fonte de que não suspeitam, E são desencaminhadOS por aqueles que consideram ser seus amigos! Será que é desamoroso adverti-lOs? (...) Mas a fidelidade a Deus e o AMOR  AO PRÓXIMO induziram-nos a falar.

Aí está o amor e preocupação que me levam a falar, também, por intermédio deste Blog (eu apenas elimino o NÃO destacado no trecho acima).
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Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já, agradeço).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

MATEUS 24:45: HÁ “TEMPO APROPRIADO” PARA ALIMENTO ESPIRITUAL FALSO, NÃO VERDADEIRO OU MENTIROSO? ®

Sinopse:
*Aquilo que é falso pode, ao mesmo tempo, ser apropriado em algum momento?
* Um primeiro argumento de "pobreza franciscana" respondido:
- Herrar é Umano? Passo a passo:
- Os membros individuais do CG Apostólico eram Umanos?
- Quando falavam enquanto CG eles Herravam?
* Falsa expectativa distribuída pelo canal de comunicação de Jeová? Pode isso?
* Segundo argumento respondido:
- Alguma mentira se origina na Verdade (1Jo.2:21).
* Para responder em breve: Devemos nos apegar a tudo?
* Dualidade uma ferramenta sempre presente!
* Agora pode responder: Devemos nos apegar a tudo?

Em outros artigos deste Blog os questionamentos abaixo propostos já estão, de certa forma, presentes, mas, aqui, vou elaborá-los com maior nitidez, a fim de “trabalhá-los” de acordo com a Bíblia e com as publicações do Corpo Governante (CG) das Testemunhas de Jeová (TJs):

“UMA MENTIRA ou uma NÃO VERDADE sobre o tema bíblico “Y”, em alguma situação, pode ser considerado “alimento espiritual” e tal alimento pode encontrar “tempo apropriado” para ser distribuído, em detrimento daquilo que seria a VERDADE (final e definitiva) sobre este mesmo tema bíblico “Y”?

ou, de forma menos elaborada:

“UMA MENTIRA ou uma NÃO VERDADE (relacionada à área espiritual) em alguma situação, pode ser encarada como “ALIMENTO NO TEMPO APROPRIADO”, provido pelo canal de comunicação de Jeová?

Como já fiz essas perguntas a várias TJs, ouvi de muitas delas uma mesma “desculpa” (de “pobreza franciscana”) e, por isso, já vou me adiantar em refutá-la.

A “desculpa” (em resumo) é a seguinte:

“Mas você tem que se lembrar que escritores da Bíblia (homens  inspirados por Deus), também tiveram falsas expectativas, conforme a própria Bíblia revela e isso não os desqualificou como “canal de comunicação de Deus”. Se homens efetivamente inspirados tiveram falsas expectativas, porque homens não inspirados não poderiam tê-las?

Esta argumentação (em forma de pergunta), como praticamente tudo o que as TJ falam em termos de fé, na verdade, é uma reprodução do que diz o CG, como por exemplo, se vê abaixo:

Considere também as profecias messiânicas. Em retrospecto, parece bem claro que a morte e a ressurreição do Messias foram preditas. (Isaías 53:8-10) No entanto, os próprios discípulos de Jesus deixaram de compreender este fato. (Mateus 16:21-23) Não entenderam que Daniel 7:13, 14, se cumpriria durante a futura pa·rou·sí·a, ou “presença”, de Cristo. (Mateus 24:3) Portanto, eles erraram em quase 2.000 anos no seu cálculo, quando perguntaram a Jesus: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” (Atos 1:6) Mesmo depois de a congregação cristã ter ficado bem estabelecida, continuaram a surgir idéias errôneas e expectativas falsas. (2 Tessalonicenses 2:1, 2) Embora alguns ocasionalmente tivessem conceitos errados, Jeová inegavelmente abençoou o trabalho desses crentes no primeiro século! (S.15/8/97 p.16, §16)

Da mesma forma como respondo às TJ que me dão tal “desculpa”, farei aqui:
1 – Um homem, ainda que seja um “dos ungidos” e ainda que componha o CG, ter alguma ideia ou expectativa incorreta sobre uma “porção de alimento espiritual”, é normal, é admissível e, creio eu, é até obrigatório e  negar essa possibilidade seria lhe negar a própria humanidade, afinal, como já afirmei em um outro artigo: “Herrar é Umano” (o mesmo, portanto, se diga sobre os homens de Deus que a Bíblia revela como tendo sido possuidores de falsas expectativas).

 2 – Não obstante, me mostre na Bíblia algum de tais homens que, para além de ter tido uma falsa expectativa, a defendeu como sendo “a verdade” e não apenas uma verdade particular sua, mas sim, como sendo “alimento de Jesus” (Mt. 24:45) que ele, enquanto parte do “canal de comunicação de Jeová", apenas passou a divulgar por ter chegado o “tempo apropriado” de assim fazer (Mt. 24:45).
Se nada disso pode ser encontrado na Bíblia (e já adianto que não pode), então, não há paralelo entre as falsas expectativas que personagens bíblicos tiveram e as FALSAS expectativas do CG, pois, o que este fala (coletivamente) nas publicações, mesmo que seja falso, segundo a interpretação que dão ao verso 45 do capitulo 24 de Mateus, é “alimento de Jesus”, alimento distribuído no “tempo apropriado” e, de qualquer forma, este argumento nos conduz de volta à mesma pergunta inicial (aqui apenas adaptada):
Uma FALSA expectativa, distribuída via “canal de comunicação de Jeová” pode, de alguma forma, ser encarada como “alimento espiritual pertencente a Jesus” que está sendo distribuído “no tempo apropriado”?

- Não! Nenhum tempo é apropriado para se acreditar em uma “porção falsa” de alimento espiritual, ainda mais, em detrimento daquela que seria a “verdadeira porção” sobre qualquer tema bíblico! Você, TJ que está lendo este artigo, discorda disso?

- Jeová, caso realmente tenha hoje um canal de comunicação com seu povo na terra (que vá além da Bíblia e do Espírito Santo), não o usaria para ensinar uma falsidade e nem permitiria que a falibilidade humana desse causa a isso (Jeová já provou ser muito bom em impedir que a falibilidade humana interfira em seus propósitos – haja visto que as TJ acreditam que  a Bíblia é a inerrante palavra de Jeová).

Você, TJ,  que está lendo este artigo, realmente discorda das afirmações acima?

Aliás o próprio CG, ao menos quando fala a pessoas de outras religiões, também não discorda, pois, se discordasse, chamais afirmaria:

... É EVIDENTE que o verdadeiro Deus, sendo “Deus da verdade” e odiando a mentira, não considerará com favor os que se apegam a organizações que ensinam a falsidade. (Salmo 31:5; Provérbios 6:16-19; Revelação 21:8) (Livro – É essa Vida Tudo o que Há p.45, §5º).

Já apresentei a declaração acima, aplicando-a ao CG, a várias TJs e muitas delas usaram o seguinte argumento “harmonizador”:

Você tem que levar em conta que quando o CG, eventualmente, ensina algo errado, isso não é feito por maldade ou na intenção de enganar, o CG realmente quer direcionar as pessoas a ter a fé correta em tudo, porém, conforme Pv. 4:18, a iluminação que Deus envia sobre seu povo (no lugar de “povo” leia-se: CG) é progressiva.

         A isso eu respondo: se assim é, então, o CG precisa mudar a interpretação que dá a Mt. 24:454, pois, enquanto a histórica interpretação que dão a este verso persistir, o alimento que ele distribui não é uma produção dele (CG) mas é alimento que vem pelo “canal de comunicação de Jeová”, alimento pertencente ao próprio Jesus e que está no momento propício a ser conhecido pelo povo de Jeová e isso GARANTE que tal alimento será 100% verdadeiro, afinal, como tal alimento pertence a Jesus (leia Mt. 24:45) e ele é a própria VERDADE (Jo. 14:16), a Bíblia nos dá a seguinte garantia: 
...nenhuma mentira se origina da verdade (1Jo.2:21).

Além disso, desculpas como: “eles erraram mas foi na melhor das intenções” ou “erraram mas foi tentando acertar” e congêneres, servem como desculpas para a liderança de qualquer religião e não creio que uma TJ irá aceitar tal argumentação de um católico, por exemplo, que as use para tentar justificar os erros cometidos pelos Papas, não é mesmo?

         Mais abaixo vou convidar o leitor a  responder, como base em tudo o que escrevi acima, à seguinte pergunta do CG:

Não devemos estar determinados a nos apegar de perto ao canal de comunicação que Jeová usa, aceitando todos esses esclarecimentos progressivos como “alimento no tempo apropriado”? — Mateus 24:45. (S. 15/6/87, pp.19-20, §14)

*Obs – O trecho acima, ao mencionar “todos esses esclarecimentos”, não está fazendo referência a todos os entendimentos que as TJ já alteraram ao longo de sua história, mas sim, àqueles que foram mencionados no próprio artigo da Sentinela indicada (6 mudanças ocorridas entre os anos de 1925 a 1986), porém, não há qualquer problema em estendermos a pergunta acima a todos os ensinos das TJ cuja a “verdade” mudou com o passar do tempo, pois, todas elas, sem exceção, a exemplo das 6 mudanças indicadas na Sentinela mencionada, se deram em razão dos “esclarecimentos progressivos” (pelo menos é assim que o CG e, a reboque, as TJs, justificam a todas elas).
Poderia citar aqui (mais isso vai ficar para outros artigos deste Blog) erros crassos, grosseiros e impossíveis para quem afirma ser a “ponta final” do único “canal de comunicação que Jeová usa” e que se limita a distribuir o alimento que recebe de Jesus, mas, ao invés de citar mudanças concretas e absurdas de ensino, prefiro apenas (re)lembrar que, recentemente, a Sentinela afirmou:
- O CG ERRA AO ENSINAR ASSUNTOS BÍBLICOS e
- JESUS NUNCA GARANTIU QUE O ALIMENTO DISTRIBUÍDO PELO CG SERIA PERFEITO (ver a Sentinela de 2/2017 p. 26 ou a transcrição no artigo anterior deste Blog)

Obs - O CG é sempre muito dual neste tema (em certas publicações afirma que as TJ têm a verdade e outras nega isso – o que leva as TJs a acreditarem em ambas as coisas). Comprovando tal dualidade, cito trecho da Sentinela de 11/1952, pg. 164, que entra em total contradição com a Sentinela (de 1917) indicada acima, pois ali lemos:

As VERDADES que havemos de publicar são aquelas que a organização do escravo discreto fornece, não algumas opiniões contrárias ao que o escravo providenciou como sendo sustento conveniente.

Tendo em vista esta dualidade contraditória na qual você, leitor TJ, consegue acreditar sem que isso gere qualquer conflito, peço que considere, por fim, a seguinte afirmação do mesmo CG:

Não pode haver duas verdades, quando uma não concorda com a outra. Ou uma ou a outra é verdadeira, mas não ambas. Crer sinceramente em alguma coisa e praticá-la não a torna certa, se realmente for errada. (Livro “Poderá Viver, p. 32, §19)

Encerrando, vou repetir a pergunta feita na Sentinela de 1987 citada acima  (com uma pequena adaptação no texto, de acordo com o justificado na *observação que fiz), para que você possa responder para si mesmo(a):

Não devemos estar determinados a nos apegar de perto ao canal de comunicação que Jeová usa, aceitando todos os esclarecimentos progressivos como “alimento no tempo apropriado”? — Mateus 24:45. (S. 15/6/87, pp.19-20, §14)

Não só a resposta, mas também a coerência e, principalmente, a consciência diante de Jeová, será de cada um (sugiro que após ter respondido uma primeira vez, leia Zc. 4:6 – na Almeida Revista e Atualizada (ARA) – e responda novamente).
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Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já, agradeço).

sábado, 2 de fevereiro de 2019

“CARTAS ABERTAS” - CORRESPONDÊNCIA 1: AOS FAMILIARES DO SR. ALFRED PRYCE HUGHES ®


Brasil, 30/1/2019
Caros Familiares:

Recentemente, lendo a revista “A Sentinela”, publicada pela Sociedade Torre de Vigia (STV), me deparei com uma mesma afirmação, concebida pelo Sr. Hughes, que já foi publicada em três ocasiões distintas.
A primeira e a terceira publicações (bem antiga e muito recente, respectivamente) identificam o Sr. Hughes como autor daquelas palavras e a segunda publicação não informa a autoria.

A descoberta das publicações, do conteúdo daquilo que ele afirmou, da forma como Sentinela já usou as palavras dele e do intervalo de tempo transcorrido entre as publicações, me motivaram a lhes escrever para, em um primeiro momento, convidá-los a refletir sobre aquilo que o mesmo afirmou.

         Como não os conheço pessoalmente, não sei se alguns ou pelo menos um de vocês se tornou Testemunhas de Jeová (TJ) e assim permanece ou foi TJ mas deixou de ser ou se nunca chegou a fazer parte da religião das TJ, porém, em quaisquer das hipóteses pretendo, em um segundo momento, propor que cada um (re)pense a correção da decisão de: permanecer, de ter abandonado ou de passar a ser uma TJ.

         Inicio transcrevendo as palavras do Sr. Hughes, tais quais foram publicadas em cada uma das três vezes que já apareceram na Sentinela:

Primeira Publicação (sublinhado acrescido):

Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, até estes dias; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová? (Sent. 1/9/1963, p. 536 em Português e 1/4/1963 p.  220 em Inglês)

Segunda Publicação: Nesta, parte das palavras foi omitida (o que tornou a afirmação feita, referente à época de envolveu o ano de 1914, ainda mais clara): As palavras do Sr. Hughes, foram assim introduzidas (notar os destaques que acresci):

“Assim como o corpo precisa de alimento, cuidado e orientação, nós precisamos das provisões espirituais que DEUS NOS DÁ por meio da sua Palavra, do seu espírito e DA SUA ORGANIZAÇÃO. Para tirar proveito destas provisões, temos de fazer parte da família terrestre de Jeová”,

e logo após se afirma:

Depois de muitos anos no serviço de Deus, um irmão escreveu:

“Sou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro . . . até o dia atual, em que a verdade brilha como o sol ao meio-dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão imprudente é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (Sent. 15/7/96 p. 20, §19 tanto em Português quanto em Inglês)

Terceira Publicação:  Nesta as palavras do Sr. Hughes foram inseridas dentro de um artigo intitulado  “Você Está Avançando com a Organização de Jeová?” e a parte omitida foi ainda maior, o que, inclusive, alterou completamente a compreensão daquilo que ele pretendeu afirmar a respeito dos  dias “de pouco antes de 1914”:

Sou muito grato por ter conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914 . . . Se há alguma coisa de máxima importância para mim, é a questão de me manter bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram como é imprudente confiar em raciocínios humanos. Uma vez que aceitei esse fato, decidi permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (15/52014, p. 29, §14)

Como se vê, a parte omitida induz o leitor a pensar que aquilo que o Sr. Hughes afirmou a respeito do “conhecimento dos propósitos de Jeová” já era algo bem disponível em 1914, porém, o que ele afirmou foi exatamente o contrário disso!   

Vistas as três publicações e suas diferenças, necessário observar que: não obstante as palavras acima sejam do Sr. Hughes, a Sentinela, ao citá-las, as endossou, logo, tais palavras não podem ser consideradas apenas uma opinião isolada e particular dele, mas são sim, uma afirmação que a STV apoiou e divulgou (por três vezes) no  objetivo, evidente, de incentivar que as convicções dele fossem acatadas pelas TJs (isso fica ainda mais claro ao notarmos como as palavras do Sr. Hughes foram introduzidas, em sua segunda publicação e o contexto do artigo nas quais foram inseridas tais palavras na terceira publicação e, ainda,  o “corte” no texto nesta terceira publicação, que acabou por perverter as palavras do Sr. Hughes, sobre o “conhecimento” existente na época “em torno” de 1914 – o que beneficiou a STV)!
          Feita esse necessária observação inicial, passo a comentar trechos de uma das partes da afirmação que ele fez, encontrada na primeira publicação (que vou usar por ser completa): 

Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, (...)
            Na concepção do Sr. Hughes, endossada e reprisada pelo Corpo Governante (CG), pouco antes de 1914, nem tudo (certamente este “tudo” se refere ao correto entendimento sobre temas bíblicos) estava tão claro para ele, para seus co-irmãos e, portanto, para a liderança de sua religião.

Vejamos o que mais se afirma sobre isso, na continuação do texto (no qual irei repetir o trecho em negrito acima).

... quando nem tudo estava tão claro, ATÉ ESTES DIAS; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia.
           Não tenho como saber quando essa declaração foi feita (alguém sabe?). Isso me permitiria identificar, com precisão, que datas compõem o “...até estes dias...” ou “até o dia” (expressões sinônimas no trecho acima).          O máximo que posso afirmar é que ela foi feita antes da primeira vez em que apareceu publicada em na Sentinela, portanto, foi em data anterior a – 1/4/1963 – assim, apenas para poder fazer considerações, tendo em vista um período mais definido, vou considerar que a declaração se deu por volta dos primeiros meses do ano de 1963 (mesmo que essa presunção não seja muito precisa, certamente, está dentro de uma época na qual já havia se consolidado na mente do Sr. Hughes e das demais TJ daquela época, que as verdades bíblicas já brilhavam como sol ao meio dia).

Então, no início de 1963, as TJ passaram de uma situação na qual: “nem tudo estava tão claro” pois existiam “algumas dúvidas”, situação vigente “dias antes de 1914” (certamente a expressão “dias antes de 1914” deve se referir, no máximo, a 1912 e 1913) para um situação em que a VERDADE passou a brilhar como sol ao meio dia, assim, em um período aproximado de 50 anos (entre 1912-3 a 1963), o grupo que veio a se transformar nas TJ de hoje, passou a ter a inteira luz das escrituras. Continuando:

Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

Esta trecho, na parte sem negrito, é clara e óbvia: visto que o grupo religioso ao qual pertencia o Sr. Hughes, na distante data de 1963, já conseguia enxergar os planos, propósitos e ensinos bíblicos, de forma tão clara quanto ao sol ao meio dia (algo que eliminou todas as dúvidas que tinham), era mais do que óbvio que tanto ele como todos os demais membros de tal religião (tão abençoada por Jeová) se sentissem, inclusive, na obrigação de estarem intimamente ligados a ela.

Já o entendimento do trecho em negrito, requer mais subsídios presentes na Sentinela de 1963 (na qual existem 4 páginas de declarações do Sr. Hughes).
Na primeira delas (p.533 na edição em português), creio eu, está a chave para se entender o trecho em negrito ora considerado: Ali ele afirmou:
MEU interesse por Deus e pela Bíblia começou quando eu era um garoto de mais ou menos oito anos. Era meu costume freqüentar a classe de estudo bíblico da escola de nossa aldeia em Shropshire, Inglaterra. Lembro-me de nosso estudo sobre a vida do apóstolo Paulo e de eu ter o desejo de servir a Deus do mesmo modo. Estes primeiros contatos
com a Bíblia fizeram muito para modelar a minha vida nos anos futuros.
             Logo na sequência o Sr. Hughes irá narrar que foi morar com parentes, em outra cidade, parentes que falavam sobre um “impendente fim do mundo” e que, graças a sua tia, acabou conhecendo C.T. Russell (fundador do movimento que se transformou nas TJs), assistiu um discurso público dele e, após, passou a frequentar outras reuniões do “povo de Jeová” e foi batizado. 
Esses fatos revelam que a dita “classe de estudo bíblico da escola” não era ligada aos “Estudantes da Bíblia” daquela época, então, a referência às “primeiras experiências”, têm a ver com o período onde o Sr. Hughes aprendia da Bíblia na “religião falsa”, na “Babilônia a Grande” (como afirmam as TJ de hoje), logo, quando o  mesmo afirma:

    As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

ele está se referindo ao período no qual estava associado a um grupo religioso diverso dos “Estudantes da Bíblia”. Foi naquele primeiro grupo que o mesmo aprendeu que é “insalutar confiar em raciocínios humanos” (mais ao final desta voltarei a este ponto).

Continuando:

Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?
          A “resolução mental” mencionada deve ser uma referência ao batismo (que ocorreu em 1913). Além de estarem certos de que tinham a plena verdade bíblica, as TJs daquela época também ganharam a percepção de que, deixar de ser fiel a organização, significaria, ao mesmo tempo, deixar de contar com o favor e bênçãos de Jeová. Visto isso, passo para a segunda parte desta carta.

– Introdução:
Em primeiro lugar, devo deixar claro que esta carta aberta, de forma alguma tem o objetivo de insultar, magoar, difamar o Sr. Hughes ou qualquer outra TJ. Visando garantir isso, faço os seguintes compromissos:

- Resumir ao máximo aquilo que ainda tenho para lhes escrever, me limitando apenas aquilo que for mais essencial (se fosse fazer uma exposição mais completa, essa carta não teria menos de 20 páginas).
- No restante desta carta vou me limitar a citar algumas poucas publicações da STV e versos bíblicos a fim de comentar. O primeiro deles é esse:

1Ts. 5:21Certificai-vos de todas as coisas; apegai-vos ao que é excelente.

Como se vê, o “certificai-vos” está no modo imperativo, logo, não se trata apenas de autorização, existe o dever de nos certificarmos de todas as coisas, para, então, termos condições de saber se há algo excelente a se aproveitar naquilo que nos certificamos.

Questão Principal: Em 1963 as TJ, realmente, atingiram uma posição diversa dos dias que antecederam 1914 (“quando nem tudo estava tão claro” ehavia algumas dúvidas”) e passaram para uma condição na qual: “a verdade brilha como o sol ao meio dia”?

         Inicio informando que, bem mais recentemente, o CG fez afirmação que, pela generalidade, indica que a pergunta acima deve ser respondida de forma afirmativa! Notem:

As pessoas se sentiam atraídas a Jesus porque ele era “de temperamento brando e humilde de coração”. (Mat. 11:29) Por outro lado, uma atitude de superioridade afasta as pessoas. Assim, embora estejamos totalmente convencidos de que TEMOS A VERDADE, é sensato evitar falar de modo dogmático. (Mnt.do Reino 8/2002 p.8 §5º)

Ocorre que a resposta à pergunta proposta (como ficará claro na sequências desta) é (um sonoro) “não” e essa resposta é válida, tanto na época em que  Russell iniciou o grupo que ficou conhecido como “Estudantes da Bíblia”,  passando por 1963 e chegando a 2019 e, o pior, AS TJ SABEM DISSO!
A razão principal pela qual as TJs sabem que a resposta é “não” reside no fato de que as mesmas acreditam, desde o início da STV, em uma doutrina que tem por único fim justificar todas as inúmeras mudanças no conjunto de “verdades” que já ensinam (doutrina conhecida pelo nome de “Iluminação Progressiva” - baseada em Pv.4:18)!

Assim, as TJ de todas as épocas sabem que não conhecem toda a verdade, sabem que não têm todas as respostas e que pairam muitas dúvidas sobre temas bíblicos, não obstante, conseguem aceitar, também,  afirmações como a do Sr. Hughes e a do Ministério do Reino citado, como se verdades absolutas fossem!

Isso ocorre porque os dirigentes das TJ, desde Russell, sempre tiveram uma incrível habilidade de fazerem as TJ acreditarem (piamente) em algo que, no fundo, todas elas sabem ser falso, porém, isso não gera conflito, não é capaz de gerar uma crise de consciência - o que seria natural e obrigatório para pessoas (via de regra) bem intencionadas, como são as TJs!
Quando a Sentinela repetiu as palavras do Sr. Hughes, em 1996, introduzindo-as da forma como o fez e, ainda, omitindo parte do texto, o que tornou aquilo que ele quis dizer ainda mais claro (que as TJ, em 1963, já tinham toda a verdade) ou quando, cerca de 6 anos mais tarde, publicou o Ministério do Reino transcrito, deveriam as TJ (como deveriam ter feitos em muitas outras oportunidades):

- Ou entender que a “Doutrina das Novas Luzes”, vigente desde sempre entre as TJs, foi oficialmente revogada e, portanto, agora, SIM, as TJ têm, finalmente, toda a verdade bíblica ou

- Perceberem que tal doutrina impede as TJ de conhecer, a rigor, qualquer verdade, pois, como qualquer ponto de fé que defendam está sujeito, a qualquer momento, a receber uma ou mais “novas luzes”, cada um de tais pontos de fé pode ser: uma mentira completa, uma meia verdade ou  uma verdade pronta e acabada que, não obstante, pode ou não, receber novas luzes!
Obs – Algumas poucas vezes as publicações da STV já revelaram que, na verdade, as crenças das TJ não passam de uma “verdade ATUAL”, como se vê no trecho de um outro Ministério do Reino, no qual o CG pergunta às TJ:

Cumpre fielmente suas designações teocráticas e mantém-se A PAR DA VERDADE ATUAL por estudar diligentemente a Palavra de Deus E O MAIS RECENTE alimento espiritual distribuído pelo “escravo”? — Mat. 24:45-47.
M.R. – 11/1985, p.3
          Mas nem essa estranhíssima afirmação (que chama de “verdade” inclusive, conhecimentos que, por se mostrarem falsos pelo mero passar do tempo, precisam ser substituídos) consegue colocar as mentes das TJs em conflito!
Notem, ainda, mais esta recentíssima afirmação do CG que, com um só golpe, desmente o que afirmou o Sr. Hughes, bem como, o que afirmaram ambos os Ministérios do Reino citados:

O Corpo Governante não recebe revelações da parte de Deus nem é perfeito. Por isso, ele pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações. Tanto é que no Índice encontramos o assunto “Esclarecimento de Crenças”, com uma lista de ajustes em nosso entendimento da Bíblia desde 1870. Na verdade, Jesus não disse que o escravo ia dar alimento espiritual perfeito. (S. 2/2017 p. 26)

    A mente de uma TJ, ao ler a afirmação acima, deveria “entrar em parafuso”, pois, como é possível “a vereda do justo ficar cada vez mais clara” (Pv.4:18) se nem mesmo o canal de comunicação que Jeová usa e que, portanto, pertence a Ele, consegue evitar o ensino de ERROS (que devemos, mais propriamente chamar de MENTIRAS), ao explicar assuntos bíblicos?!
Além disso, o trecho destacado em vermelho, na verdade, é uma COMPLETA, TOTAL e INACREDITÁVEL BLASFÊMIA contra Jesus, pois, conforme o texto de Mt. 24:45, o alimento que o “escravo” (o CG) distribui às TJ (conforme o próprio CG ensina que foi comissionado a fazer) não é dele (CG), mas sim, pertence ao próprio Jesus e como Jesus é, entre outros atributos, A PRÓPRIA A VERDADE (Jo.14:6) e o VERDADEIRO Pão do Céu (Jo. 6: 32 a 35) como pode haver qualquer imperfeição em alimento que a Ele pertencente?
Pergunto: Era realmente necessário que a Bíblia tivesse registrado Jesus afirmando, expressamente, que seu “escravo” distribuiria “alimento espiritual perfeito” para que pudéssemos entender que o alimento que o CG distribui (que, repito, segundo Mt. 24:45 é propriedade do próprio Jesus) é perfeito?

Mas as questões evidentes e inevitáveis que surgem das considerações acima, insisto, passam longe da mente da imensa maioria das TJ, por razões que, em qualquer nível, não podem ser saudáveis!

Se aproximando do final desta, gostaria de fazer apenas mais dois destaques nas palavras do Sr. Hughes:

Como já vimos, ele afirmou:
As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

A época na qual o ele confiou em, “raciocínios humanos”, foi aquela na qual estava aprendendo a Bíblia com pessoas que pertenciam à “religião falsa”, logo, a contrario sensu do que afirmou acima, entre as TJ de sua época ele não encontrou raciocínios humanos, pois, se também os tivesse encontrado ali, não poderia neles confiar! Essa conclusão leva a uma pergunta bem evidente:

Sendo as TJ (de qualquer época) pessoas humanas, não é
 de se esperar que dentre elas haja (inclusive em
meio a seus lideres) “raciocínios humanos”?

Em um outro trecho da mesma Sentinela de 1963 ele afirmou:

... Uni-me com Edgar Clay, (...) e comecei meu período de sete anos de pioneiro, (...). Sempre foi o nosso costume deixar que a ORGANIZAÇÃO DE JEOVÁ nos designasse o território e isto sempre provou-se melhor.

Certamente, ao menos mais diretamente, quem designava onde o Sr. Hughes deveria servir eram os lideres de sua organização (humanos, que tinham raciocínios humanos, raciocínios  que eram usados ao tomarem decisões), porém, como se vê, para ele quem tomava essa decisão era a “Organização de Jeová” e isso me faz chegar à seguinte conclusão razoável:

- Quem toma as decisões na “Organização de Jeová” é o próprio Jeová (só pode ter sido isso que o Sr. Hughes quis indicar com a afirmação sublinhada acima).

E é esse o ponto: Toda a TJ admite, em seu íntimo, que há uma atuação sobrenatural de Jeová sobre a STV, atuação que impede “raciocínios humanos erráticos”, dos quais nenhuma organização humana está isenta, de causar qualquer desvio para fora da vontade e dos ensinos que Jeová provê!

E notem que o CG incentiva tal conclusão, quando afirma coisas como:
Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. DEVEMOS ter confiança no instrumento que Deus usa. (Sent. 15/8/81 p. 19)

Ocorre que tal “atuação sobrenatural” nada mais é o que chamamos de “inspiração”, afinal, foi exatamente essa mesma “atuação sobrenatural” de Jeová que o permitiu usar homens imperfeitos como instrumentos para que escrevessem, ao longo de vários séculos, a Bíblia, livro que as TJ afirmam que não contêm erros humanos, não obstante ter sido escrita por vários e imperfeitos homens que, certamente, eram repletos de raciocínios humanos!

         Somente tal convicção interna pode levar uma pessoa a afirmar, com sinceridade: “- o quão insalutar é confiar em raciocínios humanos” ou “devemos ter confiança no instrumento que Jeová usa” não obstante, estar em uma organização humana, cujos líderes (humanos) tomam decisões que afetam todos os liderados (inclusive em questões que envolvem a vida e a morte, própria e até de filhos menores)!

         Mas quando perguntamos se o CG é “inspirado” a resposta oficial, expressa, escrita (tanto do CG quanto das TJs) é (o trecho transcrito abaixo está no parágrafo seguinte de onde retirei a citação acima):

É verdade que os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e dos outros escritores bíblicos. (2 Tim. 3:16) (Sent. 15/8/81 p.19)
         Não obstante, o CG, demonstrando que tem habilidade para manipular a mente das TJ como  bem entender, no mesmo sentido afirmado pelo Sr. Hughes, já ensinou também:

Os homens desse corpo governante, como os apóstolos e anciãos em Jerusalém, têm muitos anos de experiência no serviço de Deus. Mas não confiam na sabedoria humana ao fazerem decisões. Não, sendo GOVERNADOS TEOCRATICAMENTE, seguem o exemplo do primitivo corpo governante em Jerusalém cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo. — Atos 15:13-17, 28, 29. (Livro: Poderá Viver... p. 195, §14)

Minha conclusão é que esta estranhíssima “dualidade contraditória” que habita a mente das TJ (sem gerar qualquer conflito), não nasce ali espontaneamente, ela é, hábil e desonestamente, implantada pelo CG!
           O que vocês pensam a respeito? Concordam com esses meus raciocínios?
       A fim de facilitar a resposta vou reprisar abaixo, apenas alinhando os textos, duas afirmações do CG já transcritas acima (lembrando que o CG que diz ser: o “escravo” de Jesus, que distribui o alimento pertencente a ele, Jesus – no tempo apropriado) e associá-lo a um texto bíblico. Não vou comentar, para que possam retirar as próprias conclusões (apenas peço que leiam na ordem indicada):

Passando ao último ponto desta carta, como afirmei no início, não sei se vocês:
1- nunca foram,
2 - deixaram de ser ou
3 - continuam sendo TJs,
mas, seja como for, gostaria de citar uma última publicação do CG a fim de que (re)pensem, a partir dela e de tudo o que leram acima, se cada um de vocês está correto ou não ao se encontrar na situação 1, 2 ou 3 indicadas.

Sabendo disso, o que fará você, leitor? É evidente que o verdadeiro Deus, sendo “Deus da verdade” e odiando a mentira, não considerará com favor os que se apegam a organizações que ensinam a falsidade. (Salmo 31:5; Provérbios 6:16-19; Revelação 21:8) Realmente, gostaria mesmo de se associar com uma religião que não o tratou com honestidade? (Livro – É essa Vida Tudo o que Há p.45, §5º).
Agora é com vocês!
         Era isso o que tinha a lhes escrever, esperando que encontrem nessa carta aberta “coisas excelentes” nas quais possam se apegar e, assim como o Apóstolo Paulo,  espero que não me encarem como inimigo, pois, busquei lhes falar apenas a verdade (Gl. 4:16), raciocinando com base nas citadas literaturas produzidas pelo CG e nas Escrituras (At.17:2).
 Att.
 2Ts. 5:21