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sábado, 2 de março de 2019

CARTAS ABERTAS - CORRESPONDÊNCIA 2: À Sra. CHILENA ®


Brasil, 28/2/2019
PREÂMBULO
Tomei conhecimento da destinatária desta carta aberta por intermédio de uma publicação da Sociedade Torre de Vigia (STV). Tal publicação, praticamente, não tem nenhum dado sobre ela, razão pela qual vou partir de duas presunções iniciais:
- a destinatária é chilena (hipótese mais provável);
- a mesma ainda não é falecida;
-----------------------------------------------
Cara Sra. Chilena:
            Tomei conhecimento de uma afirmação que fez, afirmação que acabou sendo publicada pela STV (sociedade jurídica que representa as Testemunhas de Jeová -TJ).
Segundo a referida publicação a Sra. teria afirmado a uma Pioneira Especial, pessoa com quem conheceu as TJ e seus ensinos, que é na Sentinela que aprendemos a vontade de Deus e quando tal Pioneira afirmou que era na Bíblia, a Sra. respondeu:

‘Sim, mas que faria eu com a minha Bíblia recém-adquirida se não usasse A Sentinela para entendê-la?
            Como a Sra. era um nova estudante quando disse essas palavras, tendo a crer que não as afirmou em razão daquilo que apreendeu em publicações da STV (anteriores à publicação na qual constaram suas palavras), mas sim, foi fruto da sistemática dos estudos que a Pioneira Especial usou, qual seja, o texto base em tais estudos não era o da Bíblia, mas sim, um texto de autoria do CG, texto  que remete a passagens bíblicas a fim de confirmar cada ensino, sendo que ao ler as passagens bíblicas a Sra. ficava com a percepção de que os ensinos das TJ, realmente, teriam apoio bíblico. Em razão de tal forma de estudo, era mais que natural que a Sra. concluísse que são os escritos do CG (cujo “carro chefe” é a Sentinela) que esclarecem a Bíblia e não, própria e diretamente, a Bíblia.
Repito: dentro desta sistemática de aprendizado (no qual a Bíblia não é  texto de estudo, mas sim, um texto auxiliar ao texto estudado) a conclusão a que chegou é totalmente possível e amparada na experiência vivida ao estudar com a Pioneira.
Ao afirmar isso, pretendo deixar claro que a presente correspondência não tem por fim descrimina-la em razão daquilo que afirmou, na verdade, a ideia nesta carta aberta é dupla:

- Primeiro defender que a posição correta sobre este tema é aquele que foi defendido pela Pioneira Especial e, depois
- Demonstrar que o fato dos redatores da Sentinela terem dado razão àquilo que a Sra. afirmou (na verdade os redatores da Sentinela viram em suas palavras mais uma oportunidade de ensinar às TJ algo totalmente falso e vergonhoso para quem se auto proclama “canal de comunicação de Jeová”) desqualifica por completo tais redatores e tal revista da condição de “instrumento usado por Jeová”.

Inicio por lhe informar (se é que a Sra. já não sabia) a publicação e o contexto no qual suas palavras foram usadas pelo CG (Anuário das TJ de 1983, p. 20) conforme pode ser visto na transcrição abaixo:

AS REVISTAS SÃO APRECIADAS
A produção e a distribuição de revistas subiu mais de 8 por cento no ano que passou. O total impresso em todo o mundo somou mais de 455.000.000 de exemplares! Isso, em si mesmo, constitui evidência do quanto essas publicações são apreciadas pelo público leitor.

Lemos o seguinte do relatório do Chile: “Certa pioneira especial, ao fazer uma revisita, perguntou à senhora que livro nos ensina a vontade de Deus. ‘A Sentinela, é claro’, disse ela. Nossa irmã passou a explicar que, pelo contrário, era a Bíblia. ‘Sim, mas que faria eu com a minha Bíblia recém-adquirida se não usasse A Sentinela para entendê-la?’ — Atos 8:31.”

Antes de prosseguir faço mais uma presunção:

A Pioneira Especial que lhe revisitou, após a Sra. ter feito a pergunta sublinhada acima, continuou argumentando que o LIVRO que nos ensina a vontade de Deus é a Bíblia e que, após terem se despedido naquele dia, a Sra. estava convicta de tal realidade.

Partindo desta presunção, creio que a Sra. “levou um choque” quando leu o Anuário acima indicado e, caso a Sra. não o tenha lido até então, estou certo que o referido “choque” ocorreu assim que leu a transcrição acima e algo semelhante deve ter ocorrido com a Pioneira Especial (caso ela tenha tomado conhecimento de tal Anuário) e o mesmo deve (ou pelo menos deveria) ocorrer com todas as TJ que leram tal Anuário ou que vierem a ler esta carta aberta. Dito isso, passo a expor os dois pontos acima propostos.

1 - A PIONEIRA ESPECIAL ESTÁ COM A RAZÃO:

Argumento 1 – Tendo a acreditar que a Pioneira que lhe revisitou, ao afirmar que é a Bíblia que nos ensina a vontade de Deus, não falou apenas a partir de uma opinião pessoal, ela também falou à base do que aprendeu nas publicações da STV.
Se observamos as publicações da STV, anteriores a 1983, vamos encontrar na Sentinela fundamentação para a posição defendida pela Pioneira! Entre outros que poderia citar, note estes exemplos de 1960 e 1964:
Ao passo que o homem não pode garantir a sabedoria, Jeová Deus, a Fonte de toda a verdadeira sabedoria, o pode. Ele nos forneceu várias ajudas, para que pudéssemos andar sàbiamente, sendo a principal a sua Palavra, a Bíblia. Chama-se-nos a atenção a isso por meio do Salmo 119, especialmente pelo versículo 105 daquele salmo: “Lampada para os meus pés é a tua palavra, e luz para a minha vereda.” E, conforme o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “Desde a infância conheces os escritos sagrados que podem fazer-te sábio para a salvação pela fé em relação a Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para’ disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja inteiramente idôneo, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Tim. 3:15-17, NM. (15/1/60, p.38)
Belas Palavras! O homem (incluindo aqueles que escrevem a Revista Sentinela) não pode garantir sabedoria, mas Jeová pode e dentre as ajudas que Ele pode prover, a principal é a Bíblia, logo, a Bíblia não pode ficar na dependência de escritos de homens não inspirados para que cumpra os objetivos que Jeová pretendeu quando nos deixou este registro escrito.

No entanto, para que a leitura da Bíblia lhe traga estes benefícios, não deverá lê-la como o fazem muitas pessoas. Algumas delas procuram achar na Bíblia a prova de suas crenças religiosas, ao invés de basearem sua crença no que lêem. E outras pessoas lêem a Bíblia, não tanto para aprender a vontade de Deus, como para cobrir um certo número de páginas, a fim de poderem afirmar posteriormente que já leram toda ela.
Mas, observe como é que Deus encoraja-nos a ler a Bíblia: “Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito.” (Jos. 1:8, Maredsous) (...)
Entretanto, ao mesmo tempo, é vital que se leia consecutivamente a Bíblia. Isto servirá para impedi-lo de torcer as escrituras, tirando-as do seu contexto. — Luc. 24:27; Atos 17:2, 3.
Que tesouro recompensador o aguarda dentro das páginas da Bíblia! É a melhor leitura que há! A sabedoria divina que se acha em suas páginas é “mais preciosa que as pérolas”, escreveu o sábio escritora de Provérbios. Realmente “é uma árvore de vida para aqueles que lançarem mãos dela”. Certamente que, então, para o seu próprio bem-estar, deve ler regularmente a Bíblia. — Pro. 3:13-18, Maredsous. (S.15/10/64, p. 612)

Como ler as palavras acima, concordar com elas e, ao mesmo tempo, negar razão à Pioneira Especial? Como pode ser a Bíblia “a melhor leitura que há” se sua leitura só trouxer dúvidas e incompreensões?

Argumento 2 - E quando não existia a Sentinela?

- Aqui parto da seguinte verdade incontestável:

A Bíblia existe a mais de 1500 anos e a primeira Revista A Sentinela foi publicada em julho/1879, logo, em 2019 ela estará completando (apenas) 140 anos.  

Se a afirmação que a Sra. fez (‘Sim, mas que faria eu com a minha Bíblia recém-adquirida se não usasse A Sentinela para entendê-la?) fosse uma realidade, como fizeram as milhares de pessoas que procuraram viver de acordo com a Bíblia nos séculos em que A Sentinela não existia?
Note que desde a época em que a Bíblia estava sendo escrita, o Espírito Santo, inspirando o Apóstolo Paulo, afirmou:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para’ disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja inteiramente idôneo, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Tim. 3:15-17, NM.

Não pode haver duas verdades quando uma não concorda com a outra, logo, ou o texto bíblico acima (e aquilo que defendeu a Pioneira Especial) é a verdade ou a verdade é aquilo que a Sra. afirmou e que o CG confirmou.
              Neste ponto é importante que eu prove que ao lado de publicações como as transcritas acima (que revelam a essencialidade da Bíblia), o CG também publica outras afirmações que vão no mesmo sentido (são praticamente iguais) à afirmação que a Sra. fez para a Pioneira Especial!
Dentre os muitos exemplos que poderia citar, note este (publicado em Sentinela anterior ao Anuário no qual se encontram suas palavras):
  
Assim, a Bíblia é um livro de organização e pertence à congregação cristã como organização não como a indivíduos, não importa o quão sinceramente creiam poder interpretar a Bíblia. Por esta razão, a Bíblia não pode ser devidamente entendida sem ter  presente a organização visível de Jeová. (S. 1/6/68 p. 327)

Além de contradizer frontalmente IITm. 3:16, as palavras acima desmentem outras passagens bíblicas, incluindo as mesmas que foram citadas em Sentinela transcrita mais acima, na qual se defendeu a primazia da Bíblia. Note:

Sl. 115: 105 – Será que o Salmista deveria ter escrito:
A partir de 1879, lâmpada para os meus
 pés será a sua palavra e luz para os meus caminhos”.

II Tm. 3:15 – Neste Paulo afirma que Timóteo tem conhecido os “escritos sagrados” desde criança e que estes lhe fazem sábios para a salvação (deve ser
notado que tais “escritos sagrados” se referem, em especial, ao antigo testamento - o novo ainda estava sendo escrito)!
- Se correta a afirmação da última Sentinela acima citada, Paulo deveria ter escrito que Timóteo teria que viver ainda vários anos após 1879 para que, finalmente, pudesse conhecer e compreender aquilo que lhe poderia tornar sábio para a salvação!

- Visto isso, posso passar para o último ponto proposto, isso é, demonstrar que A Sentinela e seus redatores, ao defender que são seus escritos que tornam a Bíblia um livro útil, se desqualificam por completo da condição de “canal de comunicação de Jeová”.

2 - AUTO DESQUALIFICAÇÃO: Dentre as muitas publicações com afirmações absurdas que o “canal de comunicação de Jeová” já fez sobre este tema, cito mas essas duas:
4 Não importa onde vivamos na terra, a Palavra de Deus continua a servir de luz para a nossa senda e de lâmpada para o nosso caminho, no que se refere à nossa conduta e às nossas crenças. (Salmo 119:105) Mas, Jeová Deus proveu também sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, composto dos ungidos com o espírito, para ajudar os cristãos em todas as nações a entender e a aplicar corretamente a Bíblia na sua vida. A menos que estejamos em contato com este CANAL DE COMUNICAÇÃO USADO POR DEUS, não avançaremos na estrada da vida, NÃO IMPORTA QUANTO LEIAMOS A BÍBLIA. — Veja Atos 8:30-40. (S.1/8/82, p.27)

É inacreditável o grau de certeza que o CG tem quanto à ausência de senso critico das TJ, quando leem aquilo que o CG escreve.
Cara Sra., note isso quando se compara as três primeiras linhas sublinhadas acima com o restante do texto!
A única forma do trecho inicial sublinhado, incluído o Sl. 119:105, serem verdadeiros e harmônicos com o restante da transcrição é se o lermos o Salmo como já sugeri acima:
A partir de 1879, lâmpada para os meus
 pés será a sua palavra e luz para os meus caminhos”.

Note que logo após à referência ao Salmo citado, o texto usa a conjunção adversativamas” (que indica que o texto que se seguirá trará uma ideia oposta  àquilo que acabou de ser afirmado) e o restante do texto revela exatamente a oposição de ideias, isso é, a Bíblia é lâmpada e luz SE mantivermos contato com o canal de comunicação, do contrário, não teremos qualquer evolução, não importa o quanto recorramos a Bíblia e se isso foi uma verdade após 1879, certamente, era ainda mais verdade antes de tal ano!
Embora não seja fácil categorizar absurdos, posso dizer que a segunda afirmação mais absurda que conheço sobre este tema é, exatamente, o uso que o CG fez de suas palavras, pois, o CG considerou que uma nova estudante teve, neste tema, “mais luz” mais “visão espiritual” que uma Pioneira Especial!
Não bastasse isso, tanto na Sentinela 1982 acima citada, como no Anuário no qual suas palavras foram utilizadas, o CG usou UM MESMO TEXTO BÍBLICO em apoio! Vamos relembrar:

(...) “Certa pioneira especial, ao fazer uma revisita, perguntou à senhora que livro nos ensina a vontade de Deus. ‘A Sentinela, é claro’, disse ela. Nossa irmã passou a explicar que, pelo contrário, era a Bíblia. ‘Sim, mas que faria eu com a minha Bíblia recém-adquirida se não usasse A Sentinela para entendê-la?’ — Atos 8:31.”
É incrível a forma como suas palavras foram utilizadas! O CG deu razão a Sra. (repito - uma nova estudante das TJ e que só afirmou o que afirmou em razão do método de “estudo da Bíblia” que o próprio CG estabeleceu) e negou razão à Pioneira Especial e, pior do que isso, ainda “encontrou” base bíblica para confirmar o absurdo e é essa uma das vantagens de colocar o texto inspirado como um mero texto auxiliar - é possível fazer ela “dizer” qualquer coisa que se pretenda!

              Se Atos 8:31 (ou 8:30-40) der razão àquilo que afirmou o CG, se aproveitando de suas palavras, então, estará “revogado”, em especial, II Tm. 3:16!
Vejamos se a Bíblia em At. 8:26 a 40 contradiz IITm.3:16 ou se é o CG que usa a Bíblia contra a própria Bíblia, a fim de ensinar um erro absurdo, simplesmente porque tal erro lhe confere autoridade sobre a vida de milhares de pessoas. Antes de iniciar a leitura do restante desta desta carta, sugiro que leia, com grande atenção, At. 8:26 a 40.

Os versos 26 a 29 revelam que o encontro entre Felipe e o Eunuco não foi casual, Deus deseja que o Eunuco fosse batizado e para tanto se usou, inicialmente de um anjo e após do próprio Espírito Santo a fim de causar um encontro entre Felipe e o Eunuco. O Espírito ordenou que Felipe se “juntasse ao carro”, isso é, passasse a seguir viagem junto com o Eunuco. Felipe correu ao lado do carro e percebeu que o Eunuco lia uma passagem do profeta Isaías e, certamente, inspirado pelo Espírito, estrategicamente, perguntou: “sabes o que lê”? Essa pergunta foi perfeita, pois, o Eunuco, realmente, estava com dúvida no texto que lia e foi exatamente tal dúvida que resultou no convite para que Felipe seguisse viagem com ele.
         É fato que o Eunuco ainda não contava com toda a Bíblia, tinha apenas o livro de Isaías, assim, a dúvida nascida no texto lido (Is. 53:7-8) não encontrava resposta neste mesmo texto. Se o Eunuco tivesse a Bíblia toda a sua disposição, a dúvida que expressou (se as palavras que lia se referiam ao próprio profeta ou a outro homem? – v. 34) – teria resposta em IPd. 2:21-25 (pois Pedro cita o mesmo texto que o Eunuco estava lendo e o aplica a Jesus).
         A pergunta do Eunuco, quando considerado o contexto, revela que ela foi apenas um dos elementos, dentro do plano de Jeová de batizar o Eunuco, que auxiliou no cumprimento de tal intento.
         Tentar transformar tal pergunta no ensino de que sem as explicações do CG a Bíblia se torna um livro que lança seus leitores na escuridão espiritual, chega a doer de tão falso! Como afirma um livro que trata deste mesmo texto bíblico:

• O eunuco ainda não tinha todas as informações registradas como nós as possuímos hoje. Enquanto ele naquele momento possuía apenas o profeta Isaías, hoje temos toda a Bíblia que é proveitosa para  "ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, afim de que o homem de Deus seja plenamente competente e completamente equipado para toda boa obra" (2 Tm3:16, 17).

Como já destacado, a pergunta feita foi apenas um dos elementos providenciais que levaram ao cumprimento da vontade de Deus na vida do Eunuco. Como também afirma o mesmo livro:

• A Bíblia simplesmente registrou suas palavras, sem transformá-las em regra para o povo de Deus, assim como também registrou as palavras de Satanás: "Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma"  (Jó 2:4). Contudo, as Escrituras não endossam o que disse Satanás. Apenas registrou o que ele disse. O mesmo se deu com o eunuco.
A muitos e muitos séculos o ser humano conta com toda a Bíblia e com o auxílio fundamental do Espírito Santo (Jo.16:13), logo, ousar afirmar, seja em 1897, seja em 1983 ou em qualquer outra data na qual a Bíblia já estava disponível que tal “registro divinamente inspirado” pode ser um livro perigoso se não “bebermos” conjuntamente de “outra fonte”, é uma blasfêmia absurda e o que dizer de homens que se arriscam a afirmar algo tão bizarro e que, ao mesmo tempo, afirmam ser o único “canal de comunicação que Jeová usa”?
Observando outras publicações do CG sobre a suficiência ou insuficiência da Bíblia, o que notamos é que ao lado de informações que afirmam que a Bíblia é toda suficiente palavra de Deus para nós, existem outras afirmações que, no mesmo texto, inicialmente exaltam a Bíblia para logo após afirmar que sem os escritos do CG a Bíblia é inútil. Notem mais esse exemplo:

Na  Sentinela de 1/5/95 encontramos um artigo denominado “O Proveito da Leitura Diária da Bíblia” que inicia citando o Sl. 1:1-2 no qual se diz que é BEM AVENTURADO o homem que medita na lei de Deus de dia e de noite. Na p.13, se declara que:

2 As Testemunhas de Jeová apreciam muito as ajudas que têm para o estudo da Bíblia, inclusive A Sentinela, e fazem uso regular delas. Mas, sabem que nenhuma delas substitui a própria Bíblia.

Demonstrando o quanto o CG se sente livre para “brincar” com o entendimento e com a inteligência das TJ, no final deste mesmo artigo (p.19) houve a coragem de afirmar (sob uma suposta direção do Espírito Santo) que:
18 Naturalmente, a LEITURA da Bíblia não deve substituir seu uso da excelente MATÉRIA DE ESTUDO providenciada por meio do “escravo fiel e discreto”. Esta também faz parte das provisões de Jeová — uma provisão muito preciosa. (Mateus 24:45-47)
                                   
Percebeu a sutiliza, Sra.? – A Bíblia se , a Sentinela se ESTUDA!
Percebeu a aberração, Sra.? – As TJ sabem que nenhuma leitura “substituiprópria Bíblia”, porém, NATURALMENTE, sabem também a leitura da Bíblia não “substitui” a Sentinela!
Nunca vou aceitar que tais afirmações contraditórias se
deram sob a “orientação do Espírito Santo”
E a Sra., vai?
Encerrando a presente afirmo que, na verdade, não sei como a Sra. encara a afirmação que fez à Pioneira Especial (se continua entendendo-a como correta ou se mudou de ideia em algum momento antes de ler essa carta).
Após ler a presente, espero que prefira crer (ou prefira continuar crendo) na veracidade de IITm 3:16 e de outros textos bíblicos e, para além disso, espero que venha a questionar a posição que este grupo de homens diz ocupar em relação a Jeová e, a partir daí, a posição de autoridade que eles têm sobre sua vida, pois, pode estar certa da seguinte afirmação:
se tais homens são o “canal de comunicação de Jeová

então Jeová (se é que já usou) deixou de usar este seu canal, pois, se o fizesse, iria contrariar, entre muitos outros, mais o seguinte texto bíblico – ICo.14:33.

         Peço que ore, leia e medite sobre todo o texto desta carta (quem sabe ela não é um dos elementos de um plano maior que Jeová tem para sua vida - como teve para a vida do Eunuco)!
Essa é minha oração sincera pela Sra.

Att.
ITs. 5:21

sábado, 2 de fevereiro de 2019

“CARTAS ABERTAS” - CORRESPONDÊNCIA 1: AOS FAMILIARES DO SR. ALFRED PRYCE HUGHES ®


Brasil, 30/1/2019
Caros Familiares:

Recentemente, lendo a revista “A Sentinela”, publicada pela Sociedade Torre de Vigia (STV), me deparei com uma mesma afirmação, concebida pelo Sr. Hughes, que já foi publicada em três ocasiões distintas.
A primeira e a terceira publicações (bem antiga e muito recente, respectivamente) identificam o Sr. Hughes como autor daquelas palavras e a segunda publicação não informa a autoria.

A descoberta das publicações, do conteúdo daquilo que ele afirmou, da forma como Sentinela já usou as palavras dele e do intervalo de tempo transcorrido entre as publicações, me motivaram a lhes escrever para, em um primeiro momento, convidá-los a refletir sobre aquilo que o mesmo afirmou.

         Como não os conheço pessoalmente, não sei se alguns ou pelo menos um de vocês se tornou Testemunhas de Jeová (TJ) e assim permanece ou foi TJ mas deixou de ser ou se nunca chegou a fazer parte da religião das TJ, porém, em quaisquer das hipóteses pretendo, em um segundo momento, propor que cada um (re)pense a correção da decisão de: permanecer, de ter abandonado ou de passar a ser uma TJ.

         Inicio transcrevendo as palavras do Sr. Hughes, tais quais foram publicadas em cada uma das três vezes que já apareceram na Sentinela:

Primeira Publicação (sublinhado acrescido):

Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, até estes dias; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová? (Sent. 1/9/1963, p. 536 em Português e 1/4/1963 p.  220 em Inglês)

Segunda Publicação: Nesta, parte das palavras foi omitida (o que tornou a afirmação feita, referente à época de envolveu o ano de 1914, ainda mais clara): As palavras do Sr. Hughes, foram assim introduzidas (notar os destaques que acresci):

“Assim como o corpo precisa de alimento, cuidado e orientação, nós precisamos das provisões espirituais que DEUS NOS DÁ por meio da sua Palavra, do seu espírito e DA SUA ORGANIZAÇÃO. Para tirar proveito destas provisões, temos de fazer parte da família terrestre de Jeová”,

e logo após se afirma:

Depois de muitos anos no serviço de Deus, um irmão escreveu:

“Sou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro . . . até o dia atual, em que a verdade brilha como o sol ao meio-dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão imprudente é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (Sent. 15/7/96 p. 20, §19 tanto em Português quanto em Inglês)

Terceira Publicação:  Nesta as palavras do Sr. Hughes foram inseridas dentro de um artigo intitulado  “Você Está Avançando com a Organização de Jeová?” e a parte omitida foi ainda maior, o que, inclusive, alterou completamente a compreensão daquilo que ele pretendeu afirmar a respeito dos  dias “de pouco antes de 1914”:

Sou muito grato por ter conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914 . . . Se há alguma coisa de máxima importância para mim, é a questão de me manter bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram como é imprudente confiar em raciocínios humanos. Uma vez que aceitei esse fato, decidi permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (15/52014, p. 29, §14)

Como se vê, a parte omitida induz o leitor a pensar que aquilo que o Sr. Hughes afirmou a respeito do “conhecimento dos propósitos de Jeová” já era algo bem disponível em 1914, porém, o que ele afirmou foi exatamente o contrário disso!   

Vistas as três publicações e suas diferenças, necessário observar que: não obstante as palavras acima sejam do Sr. Hughes, a Sentinela, ao citá-las, as endossou, logo, tais palavras não podem ser consideradas apenas uma opinião isolada e particular dele, mas são sim, uma afirmação que a STV apoiou e divulgou (por três vezes) no  objetivo, evidente, de incentivar que as convicções dele fossem acatadas pelas TJs (isso fica ainda mais claro ao notarmos como as palavras do Sr. Hughes foram introduzidas, em sua segunda publicação e o contexto do artigo nas quais foram inseridas tais palavras na terceira publicação e, ainda,  o “corte” no texto nesta terceira publicação, que acabou por perverter as palavras do Sr. Hughes, sobre o “conhecimento” existente na época “em torno” de 1914 – o que beneficiou a STV)!
          Feita esse necessária observação inicial, passo a comentar trechos de uma das partes da afirmação que ele fez, encontrada na primeira publicação (que vou usar por ser completa): 

Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, (...)
            Na concepção do Sr. Hughes, endossada e reprisada pelo Corpo Governante (CG), pouco antes de 1914, nem tudo (certamente este “tudo” se refere ao correto entendimento sobre temas bíblicos) estava tão claro para ele, para seus co-irmãos e, portanto, para a liderança de sua religião.

Vejamos o que mais se afirma sobre isso, na continuação do texto (no qual irei repetir o trecho em negrito acima).

... quando nem tudo estava tão claro, ATÉ ESTES DIAS; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia.
           Não tenho como saber quando essa declaração foi feita (alguém sabe?). Isso me permitiria identificar, com precisão, que datas compõem o “...até estes dias...” ou “até o dia” (expressões sinônimas no trecho acima).          O máximo que posso afirmar é que ela foi feita antes da primeira vez em que apareceu publicada em na Sentinela, portanto, foi em data anterior a – 1/4/1963 – assim, apenas para poder fazer considerações, tendo em vista um período mais definido, vou considerar que a declaração se deu por volta dos primeiros meses do ano de 1963 (mesmo que essa presunção não seja muito precisa, certamente, está dentro de uma época na qual já havia se consolidado na mente do Sr. Hughes e das demais TJ daquela época, que as verdades bíblicas já brilhavam como sol ao meio dia).

Então, no início de 1963, as TJ passaram de uma situação na qual: “nem tudo estava tão claro” pois existiam “algumas dúvidas”, situação vigente “dias antes de 1914” (certamente a expressão “dias antes de 1914” deve se referir, no máximo, a 1912 e 1913) para um situação em que a VERDADE passou a brilhar como sol ao meio dia, assim, em um período aproximado de 50 anos (entre 1912-3 a 1963), o grupo que veio a se transformar nas TJ de hoje, passou a ter a inteira luz das escrituras. Continuando:

Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

Esta trecho, na parte sem negrito, é clara e óbvia: visto que o grupo religioso ao qual pertencia o Sr. Hughes, na distante data de 1963, já conseguia enxergar os planos, propósitos e ensinos bíblicos, de forma tão clara quanto ao sol ao meio dia (algo que eliminou todas as dúvidas que tinham), era mais do que óbvio que tanto ele como todos os demais membros de tal religião (tão abençoada por Jeová) se sentissem, inclusive, na obrigação de estarem intimamente ligados a ela.

Já o entendimento do trecho em negrito, requer mais subsídios presentes na Sentinela de 1963 (na qual existem 4 páginas de declarações do Sr. Hughes).
Na primeira delas (p.533 na edição em português), creio eu, está a chave para se entender o trecho em negrito ora considerado: Ali ele afirmou:
MEU interesse por Deus e pela Bíblia começou quando eu era um garoto de mais ou menos oito anos. Era meu costume freqüentar a classe de estudo bíblico da escola de nossa aldeia em Shropshire, Inglaterra. Lembro-me de nosso estudo sobre a vida do apóstolo Paulo e de eu ter o desejo de servir a Deus do mesmo modo. Estes primeiros contatos
com a Bíblia fizeram muito para modelar a minha vida nos anos futuros.
             Logo na sequência o Sr. Hughes irá narrar que foi morar com parentes, em outra cidade, parentes que falavam sobre um “impendente fim do mundo” e que, graças a sua tia, acabou conhecendo C.T. Russell (fundador do movimento que se transformou nas TJs), assistiu um discurso público dele e, após, passou a frequentar outras reuniões do “povo de Jeová” e foi batizado. 
Esses fatos revelam que a dita “classe de estudo bíblico da escola” não era ligada aos “Estudantes da Bíblia” daquela época, então, a referência às “primeiras experiências”, têm a ver com o período onde o Sr. Hughes aprendia da Bíblia na “religião falsa”, na “Babilônia a Grande” (como afirmam as TJ de hoje), logo, quando o  mesmo afirma:

    As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

ele está se referindo ao período no qual estava associado a um grupo religioso diverso dos “Estudantes da Bíblia”. Foi naquele primeiro grupo que o mesmo aprendeu que é “insalutar confiar em raciocínios humanos” (mais ao final desta voltarei a este ponto).

Continuando:

Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?
          A “resolução mental” mencionada deve ser uma referência ao batismo (que ocorreu em 1913). Além de estarem certos de que tinham a plena verdade bíblica, as TJs daquela época também ganharam a percepção de que, deixar de ser fiel a organização, significaria, ao mesmo tempo, deixar de contar com o favor e bênçãos de Jeová. Visto isso, passo para a segunda parte desta carta.

– Introdução:
Em primeiro lugar, devo deixar claro que esta carta aberta, de forma alguma tem o objetivo de insultar, magoar, difamar o Sr. Hughes ou qualquer outra TJ. Visando garantir isso, faço os seguintes compromissos:

- Resumir ao máximo aquilo que ainda tenho para lhes escrever, me limitando apenas aquilo que for mais essencial (se fosse fazer uma exposição mais completa, essa carta não teria menos de 20 páginas).
- No restante desta carta vou me limitar a citar algumas poucas publicações da STV e versos bíblicos a fim de comentar. O primeiro deles é esse:

1Ts. 5:21Certificai-vos de todas as coisas; apegai-vos ao que é excelente.

Como se vê, o “certificai-vos” está no modo imperativo, logo, não se trata apenas de autorização, existe o dever de nos certificarmos de todas as coisas, para, então, termos condições de saber se há algo excelente a se aproveitar naquilo que nos certificamos.

Questão Principal: Em 1963 as TJ, realmente, atingiram uma posição diversa dos dias que antecederam 1914 (“quando nem tudo estava tão claro” ehavia algumas dúvidas”) e passaram para uma condição na qual: “a verdade brilha como o sol ao meio dia”?

         Inicio informando que, bem mais recentemente, o CG fez afirmação que, pela generalidade, indica que a pergunta acima deve ser respondida de forma afirmativa! Notem:

As pessoas se sentiam atraídas a Jesus porque ele era “de temperamento brando e humilde de coração”. (Mat. 11:29) Por outro lado, uma atitude de superioridade afasta as pessoas. Assim, embora estejamos totalmente convencidos de que TEMOS A VERDADE, é sensato evitar falar de modo dogmático. (Mnt.do Reino 8/2002 p.8 §5º)

Ocorre que a resposta à pergunta proposta (como ficará claro na sequências desta) é (um sonoro) “não” e essa resposta é válida, tanto na época em que  Russell iniciou o grupo que ficou conhecido como “Estudantes da Bíblia”,  passando por 1963 e chegando a 2019 e, o pior, AS TJ SABEM DISSO!
A razão principal pela qual as TJs sabem que a resposta é “não” reside no fato de que as mesmas acreditam, desde o início da STV, em uma doutrina que tem por único fim justificar todas as inúmeras mudanças no conjunto de “verdades” que já ensinam (doutrina conhecida pelo nome de “Iluminação Progressiva” - baseada em Pv.4:18)!

Assim, as TJ de todas as épocas sabem que não conhecem toda a verdade, sabem que não têm todas as respostas e que pairam muitas dúvidas sobre temas bíblicos, não obstante, conseguem aceitar, também,  afirmações como a do Sr. Hughes e a do Ministério do Reino citado, como se verdades absolutas fossem!

Isso ocorre porque os dirigentes das TJ, desde Russell, sempre tiveram uma incrível habilidade de fazerem as TJ acreditarem (piamente) em algo que, no fundo, todas elas sabem ser falso, porém, isso não gera conflito, não é capaz de gerar uma crise de consciência - o que seria natural e obrigatório para pessoas (via de regra) bem intencionadas, como são as TJs!
Quando a Sentinela repetiu as palavras do Sr. Hughes, em 1996, introduzindo-as da forma como o fez e, ainda, omitindo parte do texto, o que tornou aquilo que ele quis dizer ainda mais claro (que as TJ, em 1963, já tinham toda a verdade) ou quando, cerca de 6 anos mais tarde, publicou o Ministério do Reino transcrito, deveriam as TJ (como deveriam ter feitos em muitas outras oportunidades):

- Ou entender que a “Doutrina das Novas Luzes”, vigente desde sempre entre as TJs, foi oficialmente revogada e, portanto, agora, SIM, as TJ têm, finalmente, toda a verdade bíblica ou

- Perceberem que tal doutrina impede as TJ de conhecer, a rigor, qualquer verdade, pois, como qualquer ponto de fé que defendam está sujeito, a qualquer momento, a receber uma ou mais “novas luzes”, cada um de tais pontos de fé pode ser: uma mentira completa, uma meia verdade ou  uma verdade pronta e acabada que, não obstante, pode ou não, receber novas luzes!
Obs – Algumas poucas vezes as publicações da STV já revelaram que, na verdade, as crenças das TJ não passam de uma “verdade ATUAL”, como se vê no trecho de um outro Ministério do Reino, no qual o CG pergunta às TJ:

Cumpre fielmente suas designações teocráticas e mantém-se A PAR DA VERDADE ATUAL por estudar diligentemente a Palavra de Deus E O MAIS RECENTE alimento espiritual distribuído pelo “escravo”? — Mat. 24:45-47.
M.R. – 11/1985, p.3
          Mas nem essa estranhíssima afirmação (que chama de “verdade” inclusive, conhecimentos que, por se mostrarem falsos pelo mero passar do tempo, precisam ser substituídos) consegue colocar as mentes das TJs em conflito!
Notem, ainda, mais esta recentíssima afirmação do CG que, com um só golpe, desmente o que afirmou o Sr. Hughes, bem como, o que afirmaram ambos os Ministérios do Reino citados:

O Corpo Governante não recebe revelações da parte de Deus nem é perfeito. Por isso, ele pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações. Tanto é que no Índice encontramos o assunto “Esclarecimento de Crenças”, com uma lista de ajustes em nosso entendimento da Bíblia desde 1870. Na verdade, Jesus não disse que o escravo ia dar alimento espiritual perfeito. (S. 2/2017 p. 26)

    A mente de uma TJ, ao ler a afirmação acima, deveria “entrar em parafuso”, pois, como é possível “a vereda do justo ficar cada vez mais clara” (Pv.4:18) se nem mesmo o canal de comunicação que Jeová usa e que, portanto, pertence a Ele, consegue evitar o ensino de ERROS (que devemos, mais propriamente chamar de MENTIRAS), ao explicar assuntos bíblicos?!
Além disso, o trecho destacado em vermelho, na verdade, é uma COMPLETA, TOTAL e INACREDITÁVEL BLASFÊMIA contra Jesus, pois, conforme o texto de Mt. 24:45, o alimento que o “escravo” (o CG) distribui às TJ (conforme o próprio CG ensina que foi comissionado a fazer) não é dele (CG), mas sim, pertence ao próprio Jesus e como Jesus é, entre outros atributos, A PRÓPRIA A VERDADE (Jo.14:6) e o VERDADEIRO Pão do Céu (Jo. 6: 32 a 35) como pode haver qualquer imperfeição em alimento que a Ele pertencente?
Pergunto: Era realmente necessário que a Bíblia tivesse registrado Jesus afirmando, expressamente, que seu “escravo” distribuiria “alimento espiritual perfeito” para que pudéssemos entender que o alimento que o CG distribui (que, repito, segundo Mt. 24:45 é propriedade do próprio Jesus) é perfeito?

Mas as questões evidentes e inevitáveis que surgem das considerações acima, insisto, passam longe da mente da imensa maioria das TJ, por razões que, em qualquer nível, não podem ser saudáveis!

Se aproximando do final desta, gostaria de fazer apenas mais dois destaques nas palavras do Sr. Hughes:

Como já vimos, ele afirmou:
As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.

A época na qual o ele confiou em, “raciocínios humanos”, foi aquela na qual estava aprendendo a Bíblia com pessoas que pertenciam à “religião falsa”, logo, a contrario sensu do que afirmou acima, entre as TJ de sua época ele não encontrou raciocínios humanos, pois, se também os tivesse encontrado ali, não poderia neles confiar! Essa conclusão leva a uma pergunta bem evidente:

Sendo as TJ (de qualquer época) pessoas humanas, não é
 de se esperar que dentre elas haja (inclusive em
meio a seus lideres) “raciocínios humanos”?

Em um outro trecho da mesma Sentinela de 1963 ele afirmou:

... Uni-me com Edgar Clay, (...) e comecei meu período de sete anos de pioneiro, (...). Sempre foi o nosso costume deixar que a ORGANIZAÇÃO DE JEOVÁ nos designasse o território e isto sempre provou-se melhor.

Certamente, ao menos mais diretamente, quem designava onde o Sr. Hughes deveria servir eram os lideres de sua organização (humanos, que tinham raciocínios humanos, raciocínios  que eram usados ao tomarem decisões), porém, como se vê, para ele quem tomava essa decisão era a “Organização de Jeová” e isso me faz chegar à seguinte conclusão razoável:

- Quem toma as decisões na “Organização de Jeová” é o próprio Jeová (só pode ter sido isso que o Sr. Hughes quis indicar com a afirmação sublinhada acima).

E é esse o ponto: Toda a TJ admite, em seu íntimo, que há uma atuação sobrenatural de Jeová sobre a STV, atuação que impede “raciocínios humanos erráticos”, dos quais nenhuma organização humana está isenta, de causar qualquer desvio para fora da vontade e dos ensinos que Jeová provê!

E notem que o CG incentiva tal conclusão, quando afirma coisas como:
Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. DEVEMOS ter confiança no instrumento que Deus usa. (Sent. 15/8/81 p. 19)

Ocorre que tal “atuação sobrenatural” nada mais é o que chamamos de “inspiração”, afinal, foi exatamente essa mesma “atuação sobrenatural” de Jeová que o permitiu usar homens imperfeitos como instrumentos para que escrevessem, ao longo de vários séculos, a Bíblia, livro que as TJ afirmam que não contêm erros humanos, não obstante ter sido escrita por vários e imperfeitos homens que, certamente, eram repletos de raciocínios humanos!

         Somente tal convicção interna pode levar uma pessoa a afirmar, com sinceridade: “- o quão insalutar é confiar em raciocínios humanos” ou “devemos ter confiança no instrumento que Jeová usa” não obstante, estar em uma organização humana, cujos líderes (humanos) tomam decisões que afetam todos os liderados (inclusive em questões que envolvem a vida e a morte, própria e até de filhos menores)!

         Mas quando perguntamos se o CG é “inspirado” a resposta oficial, expressa, escrita (tanto do CG quanto das TJs) é (o trecho transcrito abaixo está no parágrafo seguinte de onde retirei a citação acima):

É verdade que os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e dos outros escritores bíblicos. (2 Tim. 3:16) (Sent. 15/8/81 p.19)
         Não obstante, o CG, demonstrando que tem habilidade para manipular a mente das TJ como  bem entender, no mesmo sentido afirmado pelo Sr. Hughes, já ensinou também:

Os homens desse corpo governante, como os apóstolos e anciãos em Jerusalém, têm muitos anos de experiência no serviço de Deus. Mas não confiam na sabedoria humana ao fazerem decisões. Não, sendo GOVERNADOS TEOCRATICAMENTE, seguem o exemplo do primitivo corpo governante em Jerusalém cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo. — Atos 15:13-17, 28, 29. (Livro: Poderá Viver... p. 195, §14)

Minha conclusão é que esta estranhíssima “dualidade contraditória” que habita a mente das TJ (sem gerar qualquer conflito), não nasce ali espontaneamente, ela é, hábil e desonestamente, implantada pelo CG!
           O que vocês pensam a respeito? Concordam com esses meus raciocínios?
       A fim de facilitar a resposta vou reprisar abaixo, apenas alinhando os textos, duas afirmações do CG já transcritas acima (lembrando que o CG que diz ser: o “escravo” de Jesus, que distribui o alimento pertencente a ele, Jesus – no tempo apropriado) e associá-lo a um texto bíblico. Não vou comentar, para que possam retirar as próprias conclusões (apenas peço que leiam na ordem indicada):

Passando ao último ponto desta carta, como afirmei no início, não sei se vocês:
1- nunca foram,
2 - deixaram de ser ou
3 - continuam sendo TJs,
mas, seja como for, gostaria de citar uma última publicação do CG a fim de que (re)pensem, a partir dela e de tudo o que leram acima, se cada um de vocês está correto ou não ao se encontrar na situação 1, 2 ou 3 indicadas.

Sabendo disso, o que fará você, leitor? É evidente que o verdadeiro Deus, sendo “Deus da verdade” e odiando a mentira, não considerará com favor os que se apegam a organizações que ensinam a falsidade. (Salmo 31:5; Provérbios 6:16-19; Revelação 21:8) Realmente, gostaria mesmo de se associar com uma religião que não o tratou com honestidade? (Livro – É essa Vida Tudo o que Há p.45, §5º).
Agora é com vocês!
         Era isso o que tinha a lhes escrever, esperando que encontrem nessa carta aberta “coisas excelentes” nas quais possam se apegar e, assim como o Apóstolo Paulo,  espero que não me encarem como inimigo, pois, busquei lhes falar apenas a verdade (Gl. 4:16), raciocinando com base nas citadas literaturas produzidas pelo CG e nas Escrituras (At.17:2).
 Att.
 2Ts. 5:21