domingo, 11 de fevereiro de 2018

O “ATRAVESSADOR” EXCLUSIVO DE ALIMENTO ESPIRITUAL E A “RESCISÃO DO CONTRATO DE FORNECIMENTO” ®


Sinopse:

·       -   Análise detalhada do verso 45 do Cap. 24 do Evangelho de Mateus.
·         - O “Atravessador Exclusivo” de Alimento Espiritual – funções e proibições.
·         - Requisitos para a “contratação” do “Atravessador”
·         - Condições para a manutenção do contrato de “Atravessador Exclusivo”
·         - O alimento pertencente a Jesus, reflete sua pessoa e seus ensinos.
·         - Alegações que não socorrem ao “Atravessador Exclusivo”.
·         - O que dizer sobre esta “porção" de alimento espiritual”?
·         - “Rescisão do contrato” de “Atravessador Exclusivo”
----------------------------------------

Neste artigo vou convidar as Testemunhas de Jeová (TJ) a acompanharem a análise de um verso bíblico que as mesmas, certamente, já estão “cansadas de saber” mas que, creio eu, ainda não foi entendido em toda a sua profundidade e é muito importante que assim ocorra, razão pela qual irei fazer algo bem didático (do ponto de vista da língua portuguesa) a fim de revelar algo muito profundo (do ponto de vista da fé).
          Mt.24:45 afirma:
Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado?
Analisando o verso bíblico é possível perceber: são três os sujeitos (aqueles que praticam ou sofrem as ações expressas pelos verbos) e aparecem na seguinte ordem:

1Sujeito – o “escravo fiel e discreto”
2Sujeito – o “Amo”
3Sujeito – os “domésticos"

O primeiro verbo a aparecer (é) faz referência, conforme entendem as Testemunhas de Jeová (TJ), a seu Corpo Governante (CG), isso é, está ligado ao 1o Sujeito indicado.
O segundo verbo (designou) faz referência ao Amo (2o Sujeito), é o Amo quem pratica esta ação, sendo que a mesma recai sobre o 1Sujeito.
O terceiro verbo (dar) tem por objeto o alimento e é praticado pelo 1o Sujeito em favor do 3o Sujeito.
O verso também apresenta um mesmo pronome possessivo, que aparece três vezes, sendo duas no singular e uma no plural, na seguinte ordem: seu / seus / seu
O pronome possessivo seu (tanto no plural quanto no singular) sempre se refere ao mesmo Sujeito – O AMO.
Isso fica melhor visualizado abaixo:
Como se vê acima:

O “escravo” pertence ao Amo,
           os domésticos pertencem ao Amo e (principalmente):
                                O ALIMENTO PERTENCE AO AMO!


O “ATRAVESSADOR EXCLUSIVO”– Inicio afirmando que o termo “Atravessador” neste artigo não está sendo usado  de forma pejorativa nem depreciativa, pelo contrário, aqui este termo será considerado uma qualidade e um privilégio, além de constituir uma figura útil a servir em uma analogia válida.

Conforme revela o Google, o termo “atravessador” têm dois significados, sendo o segundo deles:
que ou o que exerce suas atividades colocando-se entre o produtor e o comerciante varejista (diz-se de negociante); intermediário.

Dois dos aspectos que podem ser claramente percebidos na definição acima (sendo estes os únicos que aqui interessam) são:

O Atravessador não produz o alimento que distribui. A função do Atravessador se limita a obter e repassar o alimento recebido do Amo.

            Se correta a interpretação que as TJ aceitam para o texto de Mt.24:45, então, o CG é o legítimo e exclusivo “Atravessador” de alimento espiritual da humanidade, tendo por função única - recebê-lo (do Amo) e repassá-lo (aos domésticos).

Assim, se na data “x” “o produtor” fizer chegar para seu “atravessador exclusivo” o alimento espiritual “Y”, tudo o que o “atravessador” terá que fazer será repassar o mesmíssimo alimento “Y” aos domésticos, logo, NÃO poderá o “atravessador”:

1 – Repassar qualquer alimento se, previamente, não o tiver recebido do Amo.
2 – Se receber do Amo o alimento “Y”, repassar aos domésticos o alimento “Z”, afinal, o Atravessador não produz o alimento que repassa, se limita a repassar aquilo que obteve do Amo.
3 – Receber o alimento “Y” e repassar o alimento “Y-y” ou “Y+y”, afinal, o alimento deve ser repassado tal e qual foi recebido do Amo, pois, não há espaço para coprodução de alimento espiritual entre o “Amo” e o “atravessador” – como já visto, o evangelista Mateus, inspirado pelo Espírito afirma  que o alimento a ser obtido e repassado é (apenas) do Amo, pertence a ele.

4 – Receber o alimento “Y” e repassá-lo antes ou depois do momento certo, afinal, o “atravessador” aprovado é aquele que distribui o alimento recebido do Amo  – “no tempo apropriado” – conforme afirma Mt. 24:45.
Em resumo - o CG tem que funcionar com um mero Atravessador. Seu único privilégio é (ou pelo menos deveria ser) conhecer previamente, em relação aos domésticos, o alimento espiritual recebido do Amo.
Segundo as TJ, Jesus, quando esteve neste mundo, já teria designado um “escravo” e ao retornar, séculos depois (para as TJ o retorno de Jesus já ocorreu), Jesus primeiro teve que reconhecer (encontrar) os sucessores do "escravo" que já havia designado e, após, submetê-lo a uma inspeção a fim de saber se o mesmo havia continuado “cumprindo suas funções” tal qual havia ordenado e, ao confirmar isso o elevou, oficialmente, à condição de único e exclusivo “Atravessador” de alimento  espiritual.
O livro “O Reino de Deus de 1000 anos...”, confirma isso ao informar que o Amo:
39 ... queria certificar-se de que seus assuntos domésticos ESTAVAM NA CONDIÇÃO CERTA. Havia seu escravo designado feito o que se lhe mandou fazer, a saber, dar aos “domésticos” seu “alimento no tempo apropriado”? O amo precisava fazer uma inspeção.

40A questão era servir alimento, a ESPÉCIE CORRETA DE ALIMENTO no tempo apropriado. Tinha de ser sobre isso que o retornado Amo precisava fazer uma decisão.
Pg. 350.

Tenho várias objeções a estas afirmações, porém, aqui, tomando cada uma delas por verdadeira, reafirmo que o Amo reconheceu na organização religiosa das TJ a continuidade daquele "escravo" previamente designado e o aprovou na inspeção, pois, este continuava fazendo exatamente aquilo que lhe foi ordenado pelo Amo, razão pela qual tal religião (na verdade o CG)  foi erigido à condição de “encarregado de todos os bens do amo” (Mat. 24:47). Visto isso proponho uma nova analogia:
O que aconteceria se uma empresa, que venceu um processo de licitação para fornecer refeições para pacientes internados em hospitais públicos, alguns meses após o início do fornecimento, passasse a entregar as refeições apenas quando lhe fosse conveniente e, ainda assim, deixando de observar o cardápio e os horários de entrega estabelecidos no contrato?
Certamente, tal contrato seria rescindido em razão de seu inadimplemento (que gera imenso mal às pessoas internadas).
E quanto ao CG? Se este:
após ter sido eleito como “escravo fiel e discreto” (único Atravessador autorizado) deixasse de cumprir à risca as funções “para as quais foi contratado”, isso é, deixasse de repassar a espécie correta de alimento no tempo apropriado, o que ocorreria?
Obs – neste caso o que está envolvido são os interesses e saúde espiritual de todos os domésticos de Jeová – situação ainda mais séria que a do hospital!
Para sabermos se tal "escravo" cometeu alguma “justa causa que justificasse a "rescisão contratual”, basta consideramos qualquer porção  de alimento espiritual que o CG já tenha repassado aos domésticos após a inspeção, pois, se este cumpriu fielmente suas obrigações, todo alimento que repassou ao longo do tempo veio do Amo  e, se assim foi, toda a porção de alimento repassado SEMPRE irá refletir perfeitamente a pessoa de Jesus, suas características e seus ensinos conforme registrados na Bíblia.

Por todas, cito apenas uma das características de Jesus:
 Jo.14:6 – “... eu sou ... A VERDADE...” – sendo Jesus a própria verdade, entregaria Ele, alimento capaz de levar seus domésticos a acreditar e praticar – a mentira?

DESCULPAS VÁLIDAS? – Embora seja raro,  é possível encontrar na literatura das TJ o CG afirmando – “não somos perfeitos”, “erramos”, “não somos infalíveis” e isso, sempre está associado à necessidade de justificar erros que cometeu ao “cumprir suas obrigações”.
Ocorre que a questão central não está em ser ou não inspirado, ser ou não falível, afinal, onde há o homem aí há o erro (“herrar é umano” - diz o ditado) e após a morte do último dos Apóstolos, não há mais humanos providos da mesma inspiração que eles tinham.
E por qual razão posso afirmar que erros humanos e ausência de inspiração são fatores irrelevantes à continuidade do perfeito cumprimento “das obrigações” do “escravo fiel e discreto”?
Porque o alimento espiritual que o
 CG distribui não é dele – É DO AMO!
Necessário lembrar que quando houve a inspeção, todos os inspecionados eram humanos falhos e desprovidos de inspiração e nada disso impediu (parafraseando a citação acima) que:
... a questão (servir alimento, a ESPÉCIE CORRETA DE ALIMENTO no tempo apropriado) ficasse sem solução. Foi sobre isso que o retornado amo precisou fazer uma decisão e fez, confirmando o CG como seu  “escravo” aprovado.

 Repito - Na época da inspeção o que existiam eram homens imperfeitos e não inspirados mas que, não obstante vinham, em sucessão, servindo a ...ESPÉCIE CORRETA DE ALIMENTO no tempo apropriado. Se assim foi possível a homens falhos e não inspirados durante SÉCULOS, isso continuaria totalmente possível na época da inspeção e após ela, logo, em nada socorre o “escravo aprovado”, justificar falhas cometidas “em suas obrigações” invocando a errante condição humana e para a ausência de inspiração.
Outro ponto importante a ressaltar é que não é aceitável pensar que o Amo, após reconhecer seu servo (que já havia sido previamente designado) e inspecioná-lo iria empossá-lo sobre todos os seus bens, por “falta de opção”, não obstante este não estar cumprindo à risca a ordem que recebeu do próprio Amo!
Se tem dúvidas sobre esta realidade, leia de novo para ter certeza (foi o próprio “escravo aprovado” quem, anos depois da inspeção e aprovação, afirmou):

... Havia seu escravo designado feito o que se lhe MANDOU fazer, a saber, dar aos “domésticos” seu “alimento no tempo apropriado”?
40A questão era servir alimento, a ESPÉCIE CORRETA DE ALIMENTO no tempo apropriadoTinha de ser sobre isso que o retornado amo precisava fazer uma decisão.
        A decisão foi tomada pelo Amo porque o "escravo" estava fazendo aquilo que o Mesmo ordenou, logo, se o "escravo" deixasse de cumprir suas obrigações, a decisão  tomada mudaria, com toda a certeza (seria o  cúmulo  imaginar que o Amo teve chance única de avaliar o "escravo" e que após tal avaliação e aprovação, tal decisão se tornaria imutável, mesmo que o "escravo" deixasse de cumprir suas obrigações (prejudicando com isso a todos os domésticos)!   

Assim, mesmo considerando que a organização das TJ foi realmente inspecionada e aprovada, terá ela continuado a “cumprir suas obrigações” ou teria dado causa à rescisão do “contrato de fornecimento”, assim, como fez a empresa usada na analogia acima? 

            Dentre as inúmeras porções de alimento que poderia citar a fim de justificar “a rescisão do contrato” o que dizer da porção de alimento espiritual que teve por tema a  grande Pirâmide de Gize, já mencionada várias vezes nos antigos  anteriores deste Blog.
Tal alimento espiritual, fornecido pelo escravo inspecionado e aprovado, ensinou aos domésticos de Jesus que a grande Pirâmide de Gize era a “TESTEMUNHA DE JEOVÁ” mencionadas pelo profeta Isaías e que suas medidas internas revelavam o plano de Deus para as eras!
Se correta as reivindicações das TJ sobre Mt. 24:45, foi o Amo quem entregou tal porção de alimento espiritual a seu “escravo” e cerca de 50 anos após tal ESPÉCIE CORRETA DE ALIMENTO no tempo apropriado ter sido divulgada pelo “escravo”, o Amo entregou nova porção de alimento, sobre o mesmo tema, e nele afirma que, na verdade, a Pirâmide é  “A BÍBLIA DE SATANÁS”  e mais recentemente (no livro Proclamadores), que uma pirâmide egípcia, certamente, NÃO TEM QUALQUER CONEXÃO COM A ADORAÇÃO VERDADEIRA!
            Você, TJ vai mesmo sustentar, não para terceiros, mas aí, em seus pensamentos, que a primeira porção de tal alimento espiritual (referente à pirâmide) foi entregue ao CG por aquele que se auto denominou - a VERDADE?
            Vai sustentar para si mesmo que Jesus demorou cerca de 50 anos para corrigir algo que colocava seus domésticos em contato com adoração falsa?
            Vai aceitar que tal tipo de falha  se justifica na falibilidade humana e na ausência de inspiração e, com isso, irá, por tabela, responsabilizar o próprio Jesus pela imensa demora em corrigir um erro tão absurdo?
            Como a respostas será um único e sonoro “NÃO”, concluo afirmando –

se é certo que a organização das TJ foi avaliada e aprovada é, ainda mais certa, a “destituição de suas funções” em razão de ter distribuído, entre muitos outros, alimento que não recebeu do  amo e que causou imenso prejuízo espiritual aos domésticos! 

-------------------
Obs - Próximo artigo (cujo título aqui indicado pode ser definitivo mas, também pode ser  apenas provisório), será: "UMA DAS AFIRMAÇÕES MAIS INSANAS DO "ESCRAVO FIEL E DISCRETO"
-------------------
Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já - agradeço).

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A BÍBLIA SEM O CORPO GOVERNANTE, NA VISÃO DO CORPO GOVERNANTE ®

Um dos pontos centrais da chamada “reforma protestante” está resumida na famosa (e muito contestada) expressão latina - “Sola Scriputura”.
Pesquisando na internet a fim de escrever este artigo, encontrei uma afirmação sobre o “sola scriptura” que desconhecida e que, ainda que incorreta, vou usar aqui como se correta fosse (após a transcrição explico isso melhor):
Sola Scriptura, segundo a Reforma Protestante, é o princípio segundo o qual a Bíblia tem absoluta primazia ante a Tradição legada pelo magistério da Igreja Cristã, quando, os princípios doutrinários entre esta e aquela forem conflitantes. A Reforma não rejeita a Tradição, e ela continua a ser usada como legitimadora para qualquer assunto não declarado pela Bíblia. Se houver divergências entre Bíblia e tradição, a Bíblia terá primazia.
Nos movimentos de inspiração reformada considerados historicamente como radicais (anabatistas e puritanos), e outros surgidos durante o século XIX, esse principio foi re-significado como nuda scriptura, passando a ser entendido ao pé da letra, adotando-se a ideia de que a A Escritura interpreta a própria Escritura., bem como a que a mesma era suficiente como única fonte de doutrina e prática cristãs em todos os aspectos.
Devido a essa re-significação, passou-se a chamar o entendimento anterior reformado pelo novo nome Prima Scriptura.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sola_scriptura
Até então, o que entendia sobre “sola scriptura” é aquilo que o texto indica ser “nuda scriptura” ou “prima scriputra”(como estes dois termos são apresentados como sinônimos na transcrição, vou usar apenas - “nuda scpriptura”).
Em resumo:
Sola Scriputa”: A Bíblia é a autoridade única, salvo naquilo que for omissa. Havendo omissão, existe outra fonte de autoridade, com o mesmo “peso” da Bíblia, para suprir a omissão.
“Nuda scriptura” – A Bíblia é a única regra de fé e prática, única autoridade reconhecida como tendo sido deixada por Deus para guiar o ser humano pelo único caminho (Jesus) até Deus, logo, nela não há omissão, isso é, tudo o que o ser humano precisar saber para viver de acordo com os preceitos de Jeová e se achegar a Ele, está na Bíblia. 
Esclarecidos os termos, indico que a proposta deste artigo é determinar, segundo as publicações do Corpo Governante (CG) das Testemunhas de Jeová (TJ) como, realmente, a Bíblia é considerada por esta religião.
Inicio pelas seguintes transcrições de publicações do CG, seguidas de comentários (quando necessários) - grifos acrescidos:
...para substituir, desacreditar ou abolir a norma toda-suficiente da adoração pura, a Bíblia.
 D. 22/3/71 p.12
Nesta citação a Bíblia é apresentada como “norma toda-suficiente” da adoração pura, logo, podemos estabelecer a “equação”:
ser humano + Bíblia = elementos suficientes
 para exercer adoração pura
Esses exemplos nos lembram das palavras de Jesus: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual.” (Mateus 5:3) De fato, os humanos já nascem com uma necessidade espiritual. Só Deus pode satisfazê-la, por meio de sua Palavra, a Bíblia.
S.1/4/15 – p.3
A meio pelo qual Deus supre a necessidade espiritual que todo o ser humano carrega em si é a Bíblia, logo:
ser humano + Bíblia = meio divino para satisfazer
 a necessidade espiritual humana
4 Mas como podemos treinar nossa consciência? É essencial estudar a Bíblia regularmente com oração, meditar no que lemos e colocar em prática o que aprendemos.
S.15/9/15
Consciência treinada (acrescento - para não ser sinônimo de “adestramento mental”), deve ser obtida pelo estudo e meditação regular da Bíblia, em oração, associada a prática daquilo que se aprende, logo:
Consciência treinada = Conhecimento + prática dos ensinos bíblicos
(...) Da mesma forma, nossa fé pode continuar forte se regularmente nos alimentarmos da Palavra de Deus. Por continuarmos a estudar a Bíblia, criamos mais amor por ela e por seu Autor, e isso se torna a base para desenvolvermos mais fé.
S.15/10/15 p. 10 pr. 7

6 Mas a obra de fazer discípulos não pára nisso. Cada uma das testemunhas batizadas de Jeová precisa continuar a ser aprendiz. Continua[r] a estudar a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.
S. 15/5/70 p.307
Logo, a fonte de aprendizado das TJ é a Bíblia, Deus ensina por meio dela.
50 A Bíblia é o livro mais absorvente e interessante na terra, o mais proveitoso para ler e estudar.
S.15/8/70 p. 500
 Logo:
ser humano + estudo da Bíblia +
 absolutamente nada (0) = máximo proveito

(...) As Testemunhas de Jeová creem que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, assim como Paulo escreveu a Timóteo:
As TJ creem que a Bíblia foi inspirada por Deus e que estão corretas as  afirmações que o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, faz sobre a Bíblia no texto bíblico transcrito.       
Dentre as auto afirmações que a Bíblia contêm, a mais impactante, no sentido de se auto estabelecer como suficiente  ao ser humano é, sem dúvida – 2Tm3:16-17 – transcrito acima.
Na minha forma de entender (e por isso assim indiquei ao reescrever o texto bíblico acima) estes versos bíblicos apontam para o “nuda scriputa” e esta noção fica ainda mais forte quando consideramos a explicação abaixo, na qual A Sentinela informa, a partir do original, o que deve ser entendido pelo termo que foi traduzido por “completamente equipado”:
A palavra original traduzida “completamente equipado” literalmente significa “tendo sido equipado”. Essa palavra podia ser usada nos tempos antigos para se referir a um barco que fosse abastecido com tudo o que fosse necessário para uma viagem ou uma máquina que fosse capaz de fazer qualquer coisa que se esperasse dela. De modo similar, Jeová nos dá, por meio de Sua Palavra, tudo o que precisamos para lidar com qualquer coisa que surja na nossa vida.
S.15/3/08 p.15-16.
Usando as analogias da transcrição acima, podemos dizer que se o ser humano for um barco, tudo o que ele precisará para estar completamente equipado para a viajem (da vida) será a Bíblia.
Se a Bíblia fosse, literalmente, uma máquina (processadora de alimento espiritual), os seres humanos poderiam dispensar toda as outras pois, tal “máquina”, concentraria a utilidade de todos as outras em si mesma.
Em prol da correção de tais analogias, atente para este argumento usado na Sentinela:
Será que algum homem, tendo uma expectativa de vida de apenas algumas décadas, pode pessoalmente entrar em contato com toda a humanidade e servir de canal de comunicação da parte de Deus? Não. Mas um registro escrito permanente pode. Por esse motivo, não seria apropriado que a revelação de Deus estivesse disponível na forma de um livro? Um dos livros mais antigos, que afirma ter sido inspirado por Deus, é a Bíblia. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”, afirma um de seus escritores. (2 Timóteo 3:16)
S. 15/7/15, p. 4
Homens (devido à brevidade da vida e a impossibilidade de manterem contato com cada ser humano vivo) não teriam condições de ser um canal de comunicação de Deus, mas, um registro escrito por homens, sob a inspiração de Deus (sem tal inspiração tais escritos seriam tão falhos quanto os homens que os escreveram), este sim pode cumprir a função de “canal de comunicação de Deus”.
A última transcrição acima poderia dar novo rumo a este artigo, porém, mantendo o propósito original, vejamos  mais uma citação da Sentinela para notar como a mesma se encaixa naquilo que as literaturas do CG indicaram até agora:
4 Não importa onde vivamos na terra, a Palavra de Deus continua a servir de luz para a nossa senda e de lâmpada para o nosso caminho, no que se refere à nossa conduta e às nossas crenças. (Salmo 119:105) Mas, Jeová Deus proveu também sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, composto dos ungidos com o espírito, para ajudar os cristãos em todas as nações a entender e a aplicar corretamente a Bíblia na sua vida. (S. 1/8/82, p. 27)
Notem! A Bíblia, na verdade, não é auto suficiente, para as TJ não há “nuda scriptura” alguma, assim:
- o barco, na realidade, precisa da Bíblia + alguma coisa,
e a máquina completa, na verdade, precisa de uma auxiliar!
         A Bíblia, segundo o início da citação, continua sendo luz para caminharmos, porém, esta luz pode ser aplicada corretamente ou não, razão pela qual apenas a luz das escrituras não é suficiente!
         E para que não haja dúvida da correção destas conclusões, notem como foi concluído o parágrafo 4 transcrito acima, na continuação de sua transcrição, abaixo:
S. 1/8/82, p.27
Se assim é, o Apóstolo Paulo (não obstante inspirado por Jeová) errou quando afirmou que a Bíblia mantem o homem “completamente equipado para toda a boa obra”, afinal, sem o “canal de comunicação” humano (e aqui tenho como não lembrar do trecho da Sentinela de 15/7/15, p. 4 – acima transcrito) a luz da Bíblia pode ser prejudicial pois, pode ser aplicada incorretamente!
- Os dois fatos que mais me impressionam nesta citação, porém, são:
1o - O fato de que podemos mudar o trecho “não importa o quanto leiamos a Bíblia” por outras afirmações, tais como:
- não importa o quanto estudemos a Bíblia!
- não importa o quanto amemos a Bíblia!
- não importa o quanto procuremos viver de acordo com a Bíblia!
- não  importa o quanto confiemos nela para ser nosso guia de vida!
- não importa o que a própria Bíblia afirma sobre si, como em ITs. 2:13 (palavra de Deus, que atua com eficácia em vocês, os que creem)!
- não importa o quanto a própria Bíblia indique sua utilidade no Sl. 119:105 (lâmpada para meus pés é a tua palavra e luz para meus caminhos)!
- não importa o quanto Timóteo tenha sido exceção (Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus)! - 2Tm 3:14.
- não importa o quanto ela seja “mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração”! (Hb. 4:12).
- não importa o quanto o Apóstolo Paulo tenha, mediante inspiração divina, afirmando que elas nos mantêm “plenamente competentes” e completamente equipados”!
NÃO IMPORTA! A Bíblia continuará sendo “o balde”, “a lanterna” e o “óculos”, enquanto que a CG será: “o fundo”, “as pilhas” e “as lentes”, respectivamente!
2o – O segundo fato que mais me impressiona é que o CG conseguiu (ou ao menos pensa ter conseguido) apoio na própria Bíblia (ao citar Atos 8:30-40) para desmentir o “plenamente competentes” e o “completamente equipado” de 2Tm 3:16-17 (como não é o objetivo aqui, não vou tratar de tal “prova”)!
Outro fato impressionante é que a citação da Sentinela de 1/8/82, p.27 ainda é “light” quando comparada a outras que podem ser encontradas na literatura do CG. Cito apenas dois exemplos mais “pesados” (outros serão citadas em futuros artigos):
É todo importante estudar a Bíblia, e, visto que a Sentinela auxilia a entender a Bíblia seu estudo é também imperativo. O estudo particular da revista é essencial.
Lv. Qualificados... p. 143, §3
A razão pela qual o estudo da Sentinela é essencial, está melhor expresso na próxima Sentinela citada:
Assim, a Bíblia é um livro de organização e pertence à congregação cristã como organização não como a indivíduos, não importa o quão sinceramente creiam poder interpretar a Bíblia. Por esta razão, a Bíblia não pode ser devidamente entendida sem ter  presente a organização visível de Jeová.
S. 1/6/68 p. 327
Não obstante todo o escândalo que tais declarações causam em pessoas que acreditam que a Bíblia é a suficiente palavra de Deus, que buscam tê-la como única regra de fé e prática e que com ela sabem que podem ser “plenamente competentes” e “completamente equipados” (é o meu caso), na “consciência adestrada” das TJ, não há  dificuldade alguma com tais afirmações, não há escândalo algum, pois, a bem da verdade, se quer há alguma contradição a considerar em tudo o que escrevi e transcrevi acima e assim continuará sendo mesmo após a releitura proposta abaixo (lembrando que todos os textos foram retirados de literaturas do “escravo fiel de discreto”)!
Obs - Sugiro que leitura de cada linha da Coluna 1 seja seguida da leitura da última linha desta mesma Coluna (texto em vermelho), seguida da leitura de todas as transcrições da Coluna 2:


Conclusão – Na realidade, as TJ não defendem nem o “Sola Scriputura” nem o “Nuda Scriptura”, mas sim o “Nudu” Corpo Governante! (foi o que consegui adaptar usando o google tradutor), isso é, a autoridade plena está apenas e tão somente no CG!
        Em outras palavras, o cristão não deve ir diretamente a Bíblia, eles devem ir a Sentinela (leia-se CG), pois, somente após a luz da Bíblia ser filtrada pela Sentinela (insisto: CG) é que ela pode manter o homem “plenamente competente, completamente equipado para toda a boa obra”.
Sem esse filtro o estudo da Bíblia se torna até perigoso e o próprio CG constata isso ao apontar o que ocorre com muitas TJ que deixam a organização e passam a afirmar que:
... basta ler exclusivamente a Bíblia, quer em particular, quer em pequenos grupos em casa. Mas, o que é estranho é que por meio de tal ‘leitura da Bíblia’ voltaram novamente para trás, para as doutrinas apóstatas que os comentários dos clérigos da cristandade estavam ensinando há 100 anos (...)
 S.1/6/82 p. 28, pr. 14
Percebem a seriedade desta constatação do CG?
         Ela afirma que mesmo pessoas que passaram por massivo treinamento (que prefiro chamar de “adestramento mental”) aprendendo a rejeitar com inúmeros argumentos os ensinos tradicionais das igrejas evangélicas,  quando passam a ler a Bíblia, sem o filtro da Sentinela, voltam a acreditar em tais ensinos – ou seja, a Bíblia estudada sem o filtro da Sentinela sujeita a pessoa, na visão do CG (ainda que se trate de uma pessoa bem intencionada que queira, de coração, conhecer e servir a Deus) – a se aprofundar na apostasia! (ao concluir isso me vem  mente o Sl. 51:17)!
Sendo uma verdade inconteste que a Sentinela só começou a ser publicada, relativamente, muito recentemente, cabe perguntar: Se a Bíblia, estudada sem o filtro do CG, gera aquilo que lemos na última transcrição acima, o que promoveu a Bíblia entre o momento posterior à morte do último dos Apóstolos e o dia anterior à primeira publicação da Revista A Sentinela?
(relembrando o título deste artigo)
Sem dúvida a Bíblia (se correto o CG),
foi o grande mal daqueles séculos!
----------------------------------------
Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já - agradeço).













sábado, 27 de janeiro de 2018

AS TJ E O “MECANISMO DE PREVENÇÃO DE CONFLITOS MENTAIS”®


         Nos  cerca de 30 anos que tenho me dedicado ao estudo daquilo que as Testemunhas de Jeová (TJ) chamam de “organização de Deus”, algo que sempre me chamou a atenção, como já expressei em outros artigos, é a habilidade que o Corpo Governante (CG) têm de incutir na mente das TJ conceitos contraditórios entre si mas que, em suas mentes, não entram em conflito!

         Ao refletir sobre este tema, a fim de escrever este artigo, pensei, pela primeira vez, na seguinte forma de explicar como coisas conflituosas conseguem “viver em harmonia” no cérebro TJ.

A fim de tentar explicar este “mecanismo de prevenção de conflitos mentais” criado pelo CG, proponho uma analogia  baseada em uma realidade ligada às ciências jurídicas, qual seja, a harmonia e os conflitos que podem se estabelecer entre: Princípios Jurídicos e a Lei (ou normas jurídicas).

Explicando - A Lei ou Norma Jurídica (leia-se: produto de uma casa legislativa elaborada para ser aplicada na sociedade) nunca conteve nem nunca irá conter, em si, todo o Direito, toda a Ciência Jurídica, sendo que as duas provas mais cabais neste sentido são:

A - O fato de existirem muito mais de um milhão de leis revogadas, milhares de leis vigentes e novas leis sendo criadas todas as semanas, em todos os Municípios, em todos os Estados, no Distrito Federal e no Congresso Nacional (uso como exemplo o Brasil mas poderia estendê-lo a todo o mundo).

B – O fato de que a própria lei se reconhece insuficiente ao determinar que os Juízes não podem deixar de julgar os processos em razão de inexistir lei específica (LINDB - Art. 4o).

O fato da sociedade humana ser um “tecido vivo mutante” impede a lei de conter todo o Direito mas, o mesmo não ocorre com os Princípios Jurídicos, estes conseguem conter todo o  direito, quando aplicados ao caso concreto.

Não é tarefa fácil conceituar o que são "Princípios" (jurídicos ou não) e como não é esse o tema aqui, arrisco afirmar apenas que  "princípios jurídicos" são as proposições primárias do direito, proposições que se vinculam aos valores fundantes da sociedade e que buscam exprimir aquilo que se considera justo por distribuir a cada um, nada aquém ou além daquilo que lhe cabe, quer sejam direitos ou obrigações.

Ainda é necessário destacar, por ser muito importante dentro da analogia que pretendo estabelecer, que o Princípio pode ser aplicado mesmo quando houver lei específica disciplinando o caso concreto, isso, sempre que se perceber que a aplicação  da lei, no lugar do Princípio,  irá promover a injustiça. Nestes caso, o Princípio deve (ou pelo menos deveria) prevalecer, inclusive, sobre a lei, por mais específica que ela seja.

A fim tentar tornar mais claro tudo o que escrevi até agora  cito um caso real: Um cidadão buscou garantir, por intermédio do Judiciário, o benefício assistencial denominado - BPC (Benefício de Prestação Continuada -  popularmente conhecido como LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social). O requerente deixava de atender a um dos critérios legais, qual seja, tinha 50 anos de idade, sendo que  lei exige idade mínima de 65 anos para homens, razão pela qual seu pedido, perante o INSS, foi negado.

O Juiz julgou procedente o pedido e para tanto, ao invés de aplicar integralmente a lei (e se assim fizesse não haveria julgamento de procedência) aplicou, em substituição a parte do texto da lei específica, o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.
A sentença afirmou que, embora faltasse o requisito cronológico estabelecido em lei, ao conhecer e ouvir o requerente, durante a audiência realizada, percebeu que ali estava uma pessoa que, do ponto de vista biológico, havia sido tão desgastada e maltratada pela vida, que seria absurdo negar o benefício usando por  base o “frio” critério legal.

Você concorda com a argumentação usada pelo Juiz?
 Antes de continuar lendo, peço que responda a esta pergunta.

       Juntando aquilo que expus a respeito de norma e princípios
 jurídicos e este fato real, proponho a seguinte analogia:

O CG consegue incutir na mente das TJ alguns Princípios, Princípios de aplicação obrigatória e que prevalecem, em caso de conflito, com qualquer outra norma ou lei, ainda que bíblica!

Dentre os Princípios que já consegui identificar na mente das TJ (após ter mantido diálogos com inúmeras delas nos últimos
30 anos), os mais importantes a nominar e citar, para fins deste artigo, são:

1o Princípio – O Corpo  Governante é o porta-voz de Jeová (não obedecê-lo e/ou questionário significa desobedecer e/ou questionar ao próprio Jeová): Coloco este  Princípio em primeiro lugar, pois, é ele que, uma vez aceito, coage as TJ a aceitar os demais. Este Princípio entra em conflito com a seguinte

NORMA - A Bíblia contém uma norma bem especifica quanto a quem devemos servir, sendo que as TJ conhecem e mencionam muito este “artigo de lei da Bíblia”, em especial, em função da rejeição ao serviço militar obrigatório. Diz a norma Bíblica:

Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens  

Atos 5:29 - JFA- Atualizada

Substitua o termo “homens” por “governantes humanos” e as TJ cumprirão a regra assim formulada, sem pensar duas vezes, porém, qual é a TJ que substituiria “aos homens” por “ao Corpo Governante” no “enunciado de lei” acima?

Obs – Existem cada vez mais TJ fazendo isso e tal fato só revela que o adestramento mental do CG é vencível!

Mas porque esta regra bíblica encontra esta exceção entre as TJ? 
Isso ocorre em razão da prevalência deste primeiro 
 Princípio sobre a "norma" bíblica destacada!

É ele que faz as TJ, mesmo sabendo que o CG é composto de homens, homens imperfeitos, a não cogitarem o “absurdo” de pensar:
Importa antes obedecer a Deus
 que ao Corpo Governante  

 O CG não evita esforços no sentido de policiar os pensamentos das TJ neste (e em quase todos os outros) pontos e assim o faz por afirmar que questionar ao CG significa: não servir a Deus e agradar o inimigo!

Note neste exemplo (existem outros) se não é desta forma coativa  que as TJ são ensinadas pelo CG:

EVITE IDÉIAS INDEPENDENTES
20 Satanás, desde o começo de sua rebelião, questionou a maneira de Deus fazer as coisas. Promoveu idéias independentes. (...) (Gênesis 3:1-5). Até hoje, tem sido o desígnio sutil de Satanás contagiar o povo de Deus com esse tipo de idéias. — 2 Timóteo 3:1, 13
21 Como se manifestam tais idéias independentes? Um modo comum é questionar o conselho provido pela organização visível de Deus.
Sentinela 15/7/83 p. 22

       O  Princípio incutido pelo CG na mente da TJ vence a norma bíblica ao impor a seguinte exceção absoluta: 

                      Os homens do CG - estes, não obstante serem apenas homens, sempre devem ser obedecidos!

2o Princípio – A Palavra do Corpo Governante – é a Verdade!

A melhor forma que tenho para explicar este Princípio é:

Artigo 1o – O CG tem toda a verdade.
Artigo 2o – Caso o  CG, em um ou  mais pontos de fé, revele não ter a verdade, deve ser aplicado, de imediato, o Artigo 1o.   

Embora a formulação acima possa parecer hilária e possa até ser considerada um menosprezo à inteligência das TJs., não a formulei com estes objetivos, pois, é exatamente assim que, com tristeza, noto que ocorre, isso é, quando uma TJ percebe que deve ser aplicado o Artigo 2o acima, este é imediatamente aplicado e sua aplicação é imediatamente esquecida, assim, a única realidade, a única lembrança que resta na mente TJ é aquela expressa no Artigo 1o (não se trata de falta de inteligência, se trata de adestramento mental – e nisso não há nada de hilário). Este Princípio conflita fortemente com a seguinte

NORMA - Como já visto neste Blog, o raciocínio humano têm leis, sendo uma delas, a “Lei do Terceiro Excluído” (v. o artigo anterior deste Blog).

As TJ conhecem esta lei, até porque, o próprio  CG (embora sem citar o nome) chama a atenção para tal lei, inclusive, aplicando-a a doutrinas religiosas! Proponho recordar isso pela seguinte transcrição:
19 (...) Não pode haver duas verdades, quando uma não concorda com a outra. Ou uma ou a outra é verdadeira, mas não ambas. Crer sinceramente em alguma coisa e praticá-la não a torna certa, se realmente for errada.
Lv. Poderá Viver p. 32

Mas se as TJ conhecem a Lei que impede que exitam duas verdades discordantes entre si, como é possível, ao mesmo tempo aceitarem, em especial, a doutrina da “iluminação progressiva” - cuja a função mais evidente é revelar que a integralidade das “verdades bíblicas" nas quais acreditam as TJ estão, ao menos em tese, sujeitas a conter - “prazo de validade”?? 

É muito contraditório entender, considerar e ensinar a terceiros um  ponto de fé como sendo "a verdade", "aquilo que a Bíblia realmente ensina" e, ao mesmo tempo, aceitar que a verdade sobre tal ponto de fé pode mudar a qualquer momento!

Assim, quando uma “nova luz” chega e revoga um ponto de fé que as TJ criam e ensinavam a outros como sendo “a verdade bíblica sobre o tema”, era para surgir a mente de todas elas perguntas como:
 – se devo deixar de acreditar naquilo que, até então, eu chamava e ensinava como sendo  “a verdade” a fim de acreditar em coisa diversa referente ao mesmo ponto de fé, aquilo que estive crendo e ensinando até agora, era o que?

- Se daqui a alguns anos uma “nova luz” vier a alterar aquilo que, a partir de agora, devo acreditar e ensinar como sendo “a verdade” – no que vou estar acreditando e ensinando a partir de agora?

Mais uma vez, tudo se esclarece quando se lembra que

– o Princípio vence a norma!

         Ao narrar o fato do Juiz que desprezou um critério legal para aplicar um princípio, pedi para que os leitores pensassem se concordavam ou não com o Juiz.

         Creio que, se não todos, a imensa maioria das pessoas que lerem este artigo terão concordado com a decisão judicial mencionada e que isso se deu de forma automática ou quase automática, isso é, sem que a conclusão tenha demandado grandes esforços ou elaborações mentais e tudo com total desprezo ao conflito existente entre o Princípio e a norma aplicável.

         É com esta mesma automaticidade e tranquilidade  que a mente adestrada das TJ conseguem harmonizar todas as contradições (bíblicas e lógicas) de sua religião, sendo esta a razão que lhes permite afirmar (como já ouvi de algumas) que as TJ conhecem:
 a verdade, nada
  além da verdade (!)
--------------------------------
Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?

Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já - agradeço)

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A LEI DO “TERCEIRO EXCLUÍDO” E AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ®

Um dos produtos da sabedoria humana  foi a percepção de que o pensamento é regido por três leis fundamentais sendo que a terceira destas leis foi batizada com o nome de “Lei do Terceiro Excluído” (principium tertii exclusi ou tertium non datur – em latim).

De acordo com essa lei, para toda proposição (afirmação), do ponto de vista de sua veracidade, só há duas possibilidades - ou ela é verdadeira ou ela é falsa – logo, neste sentido, não há um terceiro modo de classificar uma proposição – daí o nome de batismo desta terceira lei do pensamento.

Embora as TJ nem sempre se utilizem da sabedoria humana (pelo menos é isso o que já alegaram mais de uma vez, como veremos em futuro artigo deste Blog) ao classificar doutrinas religiosas como verdadeiras ou falsas, claramente, se utilizam da (sabedoria humana que percebeu a) “lei do terceiro excluído” como, muito claramente, revelam as citações encontradas em sua literatura e abaixo transcritas:

19 A verdade não admite a existência de todas as espécies divergentes de doutrinas religiosas no mundo. Por exemplo, ou os humanos têm uma alma que sobrevive à morte do corpo, ou não têm. Ou a terra existirá para sempre, ou não. Ou Deus acabará com a iniqüidade, ou não. Essas e muitas outras crenças ou são certas, ou são erradas. Não pode haver duas verdades, quando uma não concorda com a outra. Ou uma ou a outra é verdadeira, mas não ambas. Crer sinceramente em alguma coisa e praticá-la não a torna certa, se realmente for errada.
Lv. Poderá Viver – cap. 3 p. 32 p. 19

Ainda existe outra coisa a considerar. O próprio Jesus disse: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade.” (João 4:23) A verdade não se contradiz. Tampouco todos os ensinos contraditórios das muitas religiões do mundo podem ser verdadeiros. Assim, devem existir algumas pessoas sinceramente religiosas que não são verdadeiros adoradores por não adorarem a Deus de acordo com a verdade.
S.22/5/81 p.4
Visto que as TJ utilizam a “lei do terceiro excluído” quando se trata de classificar doutrinas religiosas como verdadeiras ou falsas, sendo as doutrinas das TJ, doutrinas religiosas, também cabe aplicar às suas doutrinas a referida lei.

Neste artigo, porém, ao invés de citar exemplo ou exemplos concretos de ensinos mutantes das TJ ao longo do tempo, vou usar o seguinte exemplo "religioso" fictício:

Esta esfera azul pode ou não estar ocultando uma outra figura geométrica de mesma ou de cor ou cores diferentes da esfera. Imaginando que isso é um tema bíblico, considere o seguinte:

-  A religião “X” ensinou, apoiando seu ensino em textos bíblicos, isso durante 10 anos, que a esfera azul está ocultando um quadrado, um quadrado completamente azul.
- Já a religião "Y" ensinou, também como base na Bíblia e nestes mesmos 10 anos, que a esfera azul está ocultado um triângulo, um triângulo completamente vermelho.

- Ocorre que a mesma religião "X", nos últimos 5 anos, passou a ensinar que a Bíblia, NA VERDADE, revela que não há nenhuma figura geométrica sendo encoberta pela esfera azul.

- Por sua vez, a religião "Y" (sob a alegação de que Deus lhes proveu com o conhecimento exato desta doutrina), passou a adotar e ensinar como VERDADE o entendimento anterior da religião "X", isso é, a esfera azul está ocultando um retângulo, um retângulo completamente azul.

       Ao se deslocar a esfera, porém, o que se revela é: 


Aplicando a terceira lei do raciocínio e alguns textos bíblicos  a esta crença das religiões "X" e "Y" podemos concluir, entre outras possibilidades, que estiveram:

1 - CRENDO E ENSINANDO UMA FALSIDADE: Os membros das religiões "X" e "Y", quanto a esta "doutrina", criam e ensinavam o erro, como se verdade fosse! Após as mudanças de entendimento, mudaram de um erro para o outro, assim, nem o entendimento anterior nem o novo são, efetivamente, A VERDADE, AQUILO QUE A BÍBLIA REALMENTE ENSINA. (é isso o que nos garante a terceira lei do raciocínio).

2 - RESPONSABILIDADE PELO PROVIMENTO DO ERRO DE DE SUA MANUTENÇÃO: Pela aplicação de textos como Tt. 1:1 (Deus não pode mentir), Dt. 18:20-22 (profeta que fala aquilo que Jeová não mandou falar) temos que Jeová não usa como matéria prima o erro, a mentira e o engano e o fato das religiões "X" e/ou "Y" atribuírem seus ensinos a Jeová não o coloca, realmente, "em cena".

3 -  SE A VERDADE CHEGAR... : Se, em algum momento, as religiões "X" e/ou "Y" vierem a ensinar que a esfera azul, na verdade, está ocultando um retângulo amarelo de contorno preto, terão chegado à verdade mas, se este entendimento também vier a ser abandonado com o tempo, irão retornar para a falsidade, assim, até  mesmo  a verdade final sobre uma doutrina qualquer deverá ser, na melhor das hipóteses, encarada como "aquilo no que cremos hoje" (v. o Artigo - Verdade Atual? - neste Blog).

      4 - "ETERNOS" APRENDIZES: Os membros das religiões "X" e "Y", serão como os reprovados homens e mulheres descritos em 2Tm. 3:1 a 7, pois, graças à religião da qual cada um é membro, estarão "estão sempre aprendendo, sem nunca conseguir chegar a um conhecimento exato da verdade"!

5 -  A SINCERIDADE DE CADA MEMBRO DAS RELIGIÕES "X" E "Y" DE NADA APROVEITA: Se correto o trecho final da segunda transcrição de literatura das TJ feita acima, isso é:

... Assim, devem existir algumas pessoas sinceramente religiosas que não são verdadeiros adoradores por não adorarem a Deus de acordo com a verdade.

E se, de fato, Jeová fosse o responsável pelos ensinos e mudanças de ensino das religiões "X" e "Y" sobre a doutrina consideradas, temos que seria o próprio Jeová quem iria garantir a inutilidade dos membros sinceros das religiões "X" e "Y", afinal, embora Jeová procure verdadeiros adoradores (Jo. 4:23 TMN), ao lhes prover com ensinos errôneos, Jeová também os descartaria "por não lhe adorarem com a verdade"!


6 -  VERDADEIROS ADORADORES - NA MÉDIA: Conforme o trecho retranscrito acima, "se adorar a Deus de acordo com a verdade" significa conhecer cada verdade do conjunto inteiro de verdades que se há para conhecer, Jeová só encontra verdadeiros adorares se "tirar pela média" (se a exigência for de 100%, não houve, não há, nem haverá adoradores elegíveis no mundo e isso se dará por culpa do próprio Jeová, por ter escolhido revelar suas verdades gradualmente)!


E se Jeová, em função disso, escolhe adoradores pela média, então poderão, ao menos em tese, ser encontrados adoradores aceitáveis, na religião "X" na "Y" e em muitas outras!   

Creio (mas posso estar errado) que nenhuma TJ terá dificuldade em concordar com pelo menos algumas das afirmações deste artigo e isso terá muito a ver com o fato de não ter trabalhado exemplos concretos de mudança de doutrina ocorridas entre as TJ (creio que se assim tivesse feito um número muito maior de "poréns" iriam surgir). Não obstante: 

Não pode haver duas verdades, quando uma não concorda com a outra. Ou uma ou a outra é verdadeira, mas não ambas
afinal:
A verdade não se contradiz. Tampouco todos os ensinos contraditórios das muitas religiões do mundo podem ser verdadeiros.

      Se ensinos contraditórios de religiões diversas não podem ser verdadeiros o que dizer de ensinos contraditórios de uma mesma religião, seja ela "X", "Y" ou "TJ" (pense nisso e nos seis pontos acima listados).

------------------------------
Quer responder? Quer comentar? Quer discordar (no todo ou em parte)? Quer sugerir alguma melhora no texto? Quer indicar alguma necessária correção gramatical?


Escreva para mim - 1tessalonicenses5.21@gmail.com (desde já - agradeço)